Cerca de 1 milhão de brasileiros sofrem queimaduras todos os anos. Desse total, aproximadamente 100 mil casos acabam exigindo atendimento hospitalar.
Os números são da Associação Brasileira de Queimaduras e mostram a dimensão do problema no país. Eles também revelam que 70% desses acidentes acontecem dentro de casa.
Segundo o Ministério da Saúde, entre crianças e adolescentes de até 19 anos, as de 1 a 4 anos representam 62% das internações e cerca de 23% dos óbitos relacionados ao contato com fontes de calor e substâncias quentes.
Entender onde e como esses acidentes acontecem é o primeiro passo para evitá-los.
Por que a maioria das queimaduras acontece dentro de casa?
A resposta está em uma combinação de fatores: fontes de calor, produtos químicos e instalações elétricas, tudo ao alcance das mãos, inclusive das crianças.
A cozinha é o ambiente de maior risco, mas os perigos se distribuem pela casa inteira.
Por sua natureza curiosa, as crianças podem explorar os ambientes e imitar os adultos sem conseguir avaliar as consequências.
Alguns cuidados podem ajudar a reduzir riscos de acidentes:
Na cozinha: mantenha os cabos das panelas e frigideiras sempre virados para dentro do fogão e prefira as bocas de trás. Não deixe crianças no ambiente enquanto prepara refeições.
Líquidos inflamáveis: armazene álcool líquido e outras substâncias inflamáveis longe de fontes de calor e fora do alcance de crianças. Nunca use álcool para acender fogueiras ou churrasqueiras; utilize acendedores próprios.
Eletricidade: utilize protetores em tomadas sem uso e evite benjamins, que podem causar curtos-circuitos.
Produtos químicos: mantenha produtos de limpeza corrosivos trancados e nas embalagens originais; nunca os transfira para garrafas de refrigerante.
Água quente: ao preparar o banho de bebês, coloque a água fria primeiro e sempre teste a temperatura com o cotovelo antes de colocar a criança.
Como as queimaduras são classificadas?
Diante de uma queimadura, a primeira dúvida que pode surgir é quanto ao seu grau de gravidade. A resposta depende de dois fatores: o quanto a lesão penetrou na pele e qual área do corpo foi atingida.
As queimaduras são classificadas em três graus de acordo com a sua profundidade:
Queimadura de 1º grau
Atinge apenas a camada superficial da pele.
Provoca dor, calor local e vermelhidão, mas não forma bolhas.
Costuma cicatrizar entre 3 e 7 dias, sem deixar marcas permanentes.
Queimadura de 2º grau
Atinge camadas mais profundas da pele.
Provoca dor intensa e é caracterizada pela formação de bolhas.
A cicatrização pode levar até 21 dias e pode deixar marcas permanentes.
Queimadura de 3º grau
Acomete todas as camadas da pele, podendo chegar a músculos e ossos. A pele fica com aspecto branco, seco ou carbonizado.
Por destruir as terminações nervosas, costuma ser indolor no local exato da lesão, o que pode dar a falsa impressão de que a situação não é grave.
Exige reparação cirúrgica.
Para medir a extensão, profissionais de saúde costumam utilizar a “regra da mão” para medir a área atingida: a palma da própria pessoa equivale a cerca de 1% da sua área corporal. Quanto maior a extensão, mais urgente é o atendimento.
O que fazer em caso de queimadura?
Nos primeiros minutos, o objetivo é resfriar a área e proteger o ferimento até a chegada ao hospital. Somente profissionais de saúde podem avaliar a lesão e indicar o tratamento adequado.
Para acionar ajuda, ligue para o SAMU (192), o Corpo de Bombeiros (193) ou vá a um pronto-socorro.
1. Resfrie a lesão: coloque a área queimada sob água corrente fria (temperatura ambiente, nunca gelada) com jato suave por, pelo menos, 10 minutos.
2. Retire os acessórios: antes que o corpo comece a inchar, retire anéis, pulseiras, cintos e calçados que possam comprimir a área.
3. Proteja a área: cubra a queimadura suavemente com pano, gaze ou toalha limpos e úmidos durante o transporte até a emergência.
Em caso de acidentes químicos, retire a roupa contaminada e lave a área em água corrente por, pelo menos, 20 minutos.
Se houver ingestão da substância, vá imediatamente para o pronto-socorro.
Nos acidentes elétricos, é importante não tocar em quem se acidentou antes de ter certeza de que o aparelho foi desligado da tomada ou a energia foi cortada.
Essas medidas podem ajudar a reduzir a profundidade da lesão e o risco de infecção, mas não substituem o atendimento médico, que deve ser buscado o quanto antes.
O que NÃO fazer em caso de queimadura?
O instinto de ajudar pode jogar contra nessa hora. Algumas práticas podem acabar agravando a lesão:
- Não aplique gelo: a temperatura extrema pode agravar a lesão e causar uma nova queimadura.
- Nunca fure as bolhas: a pele da bolha age como um curativo natural e protege o tecido contra infecções.
- Esqueça as receitas caseiras: manteiga, pó de café, pasta de dente, óleos e clara de ovo não ajudam e podem causar infecções, além de precisar ser removidos no hospital, o que gera dor adicional.
- Não puxe roupas grudadas na pele: lave ao redor e deixe a remoção para a equipe médica.
Nenhuma dessas ações ajuda a acelerar a cicatrização e podem transformar uma lesão simples em um quadro mais grave e doloroso.
Queimaduras são acidentes que ninguém espera. Mas saber como agir nesse momento pode aliviar o susto e proteger quem você ama.
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Fontes: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria (1,2), Governo de Minas, Sociedade Brasileira de Dermatologia