A hora de dormir possui um papel essencial quando o assunto é crescimento infantil.
Segundo a Fundação Nacional do Sono (Fundasono), é durante o sono das crianças que cerca de 90% do hormônio do crescimento é liberado.
Por isso, a qualidade do sono infantil, especialmente nas suas fases mais profundas, pode influenciar como ossos, músculos e outras estruturas do corpo se desenvolvem ao longo dos anos.
Como o sono atua no crescimento?

Enquanto as crianças dormem, a glândula pituitária entra em ação, liberando o hormônio do crescimento, também conhecido como GH (por causa do termo em inglês growth hormone).
Essa substância percorre a corrente sanguínea, levando comandos para diferentes partes do corpo em desenvolvimento.
São esses comandos que determinam o alongamento dos ossos, o fortalecimento dos músculos e a regeneração das células, contribuindo para o ganho de altura, a formação da estrutura óssea e de tecidos importantes para o crescimento.
É como se o organismo das crianças aproveitasse o momento em que o corpo deixa de gastar energia com movimentos para se concentrar na construção da própria estrutura física.
Como a falta de sono afeta o desenvolvimento e o comportamento?
Quando o descanso não acontece como deveria, o impacto aparece rápido na rotina. Crianças que dormem pouco costumam ficar mais irritadas, alterar o humor com facilidade, ter dificuldade de se concentrar e demonstrar maior agitação ao longo do dia.
Com o tempo, a falta de sono também se relaciona ao risco de sobrepeso e obesidade. Isso acontece porque a privação de sono altera hormônios envolvidos na regulação do apetite, favorecendo a busca por alimentos mais calóricos, principalmente doces e lanches rápidos.
A saúde emocional e o comportamento acompanham essas mudanças.
A exaustão pode desencadear atitudes hiperativas ou impulsivas, prejudicando a convivência familiar e o desempenho escolar, mesmo quando não há nenhuma outra mudança aparente na rotina.
Qual é o tempo de sono recomendado por idade?
À medida que as crianças crescem, a necessidade diária de sono passa por alterações.
Para orientar as famílias, os especialistas indicam os seguintes intervalos aproximados de horas de sono diárias (incluindo cochilos para os menores):
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas.
Manter a rotina dentro desses intervalos ajuda o relógio biológico a funcionar de forma mais previsível.
Esse equilíbrio favorece o metabolismo, a produção de hormônios e a proteção do sistema imunológico em cada etapa do crescimento.
Como criar uma rotina de sono saudável para as crianças?
Uma rotina de sono saudável começa com horários definidos para deitar e acordar.
Quando essa previsibilidade se repete dia após dia, o organismo passa a reconhecer com mais facilidade o momento de relaxar e entrar em descanso.

Alguns ajustes simples podem facilitar esse processo em casa:
- Incentivar o gasto de energia com atividades físicas e brincadeiras ativas durante o dia;
- Desligar celulares, tablets e televisão por cerca de 30 a 60 minutos antes de dormir, para não atrapalhar o início do sono;
- Oferecer refeições mais leves no jantar, evitando açúcares em excesso;
- Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
- Criar um ritual de calma noturno, como tomar um banho morno, vestir o pijama e ler um livro.
Essas escolhas ajudam a reduzir a resistência comum na hora de ir para a cama e tendem a tornar o adormecer mais rápido.
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