Saúde em Pauta

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Cuidados específicos
Publicação 29 maio 2026
Atualização 29 maio 2026

Como funciona a memória e como cuidar dela

A memória costuma ser levada a sério só quando começa a falhar. E quando isso acontece, a preocupação já está instalada.

Segundo um estudo publicado pela Universidade de Harvard, mais da metade dos adultos a partir dos 60 anos já apresenta algum tipo de preocupação com a memória.

Mas o esquecimento não começa na terceira idade: o estresse, a privação de sono e o uso excessivo de telas também comprometem a atenção e a retenção de informações em jovens e adultos.

A boa notícia é que atitudes adotadas hoje podem proteger o cérebro e preservar a saúde da memória ao longo dos anos.

O que é a memória e como ela funciona?

A memória não funciona como uma câmera que registra tudo ao redor.

O cérebro seleciona ativamente o que vale guardar e descarta o restante. Esse processo ocorre em quatro etapas:

  • Captação: a informação chega ao cérebro por meio dos sentidos;
  • Codificação: o dado é convertido em um formato compreensível para o organismo;
  • Armazenamento: a informação é fixada fisicamente no cérebro;
  • Recuperação: a lembrança é acessada quando necessário.

Esse encadeamento acontece de forma contínua, mas a velocidade com que cada etapa acontece pode variar ao longo da vida.

Quais são os tipos de memória?

Nem toda lembrança é processada da mesma forma. O cérebro conta com três tipos de memória, cada um com uma função e duração específica:

Memória sensorial: capta impressões imediatas dos sentidos, mas retém a informação por apenas uma fração de segundo;

Memória de curto prazo: armazena dados temporariamente, por segundos ou minutos, apenas para uso imediato em tarefas cotidianas;

Memória de longo prazo: guarda fatos, eventos e habilidades de forma duradoura, sem limite conhecido de capacidade.

Entender como cada tipo funciona ajuda a compreender por que algumas lembranças desaparecem em segundos e outras permanecem por décadas.

Como o cérebro decide o que guardar?

A permanência de uma lembrança depende da relevância que o cérebro atribui a ela, mas as emoções podem ter um papel importante nessa decisão.

O tipo de memória funciona como uma espécie de primeiro filtro. A memória sensorial, como o cheiro de um bolo assando, por exemplo, gera um registro de curtíssima duração.

Se o estímulo não tiver importância para o contexto, ele é rapidamente descartado. Porém, se ele estiver ligado a uma emoção forte, o cérebro entende que a informação é valiosa e a transfere para a memória de longo prazo.

É por isso que até mesmo estímulos sensoriais, como o cheiro de bolo ou de chuva, podem ativar uma lembrança.

Por que idosos lembram do passado, mas esquecem o presente?

É comum que pessoas mais velhas descrevam eventos da juventude com riqueza de detalhes, mas tenham dificuldade de lembrar o que aconteceu na semana anterior. Isso não é acaso.

As memórias antigas já estão profundamente consolidadas na memória de longo prazo, construídas ao longo de décadas de reforço contínuo.

Com o envelhecimento natural, o que se altera não é esse acervo consolidado, mas a velocidade de processamento e a capacidade de formar novas memórias de curto prazo.

Focar a atenção e reter informações recentes se torna mais lento e mais desafiador,  enquanto as lembranças antigas permanecem intactas.

Esse fenômeno faz parte do envelhecimento cognitivo normal e é diferente das demências, como o Alzheimer.

Como a alimentação pode contribuir para a memória

Para que as etapas de captação, codificação e armazenamento funcionem bem, o cérebro precisa de nutrientes específicos e a alimentação pode ter um papel preventivo nessa equação.

Entre os compostos mais estudados estão os flavonoides. Eles são pigmentos naturais que dão cores vibrantes a frutas e vegetais.

Um estudo da Universidade de Harvard concluiu que indivíduos com maior consumo diário de flavonoides têm 19% menos chances de relatar problemas de memória.

Algumas frutas se destacam pela alta concentração desses compostos:

  • Maçã
  • Morango
  • Mirtilo
  • Banana
  • Laranja

A inclusão delas no cardápio já é suficiente para aumentar a ingestão desses compostos ao longo do dia.

Mas não é só a alimentação que tem papel importante na prevenção de danos à memória.

Como cuidar da memória no dia a dia?

A proteção do cérebro depende de um conjunto de hábitos. Algumas atitudes têm respaldo científico:

  • Apostar no ômega-3: presente em peixes gordurosos (como salmão) e nozes, beneficia a saúde cerebral e cardiovascular.
  • Gerenciar o estresse e dormir bem: tensão contínua e privação de sono prejudicam diretamente a capacidade de armazenar informações.
  • Reduzir o tempo de tela: o consumo excessivo de conteúdo digital pode gerar fadiga cognitiva, comprometendo foco e atenção.

Cuidar do corpo é a forma mais eficaz de proteger o cérebro. Converse com seu médico sobre a sua saúde cognitiva.

Fontes: Healthline, Cleveland Clinic (1, 2), Harvard Health Publishing (1,2), Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil