A memória costuma ser levada a sério só quando começa a falhar. E quando isso acontece, a preocupação já está instalada.
Segundo um estudo publicado pela Universidade de Harvard, mais da metade dos adultos a partir dos 60 anos já apresenta algum tipo de preocupação com a memória.
Mas o esquecimento não começa na terceira idade: o estresse, a privação de sono e o uso excessivo de telas também comprometem a atenção e a retenção de informações em jovens e adultos.
A boa notícia é que atitudes adotadas hoje podem proteger o cérebro e preservar a saúde da memória ao longo dos anos.
O que é a memória e como ela funciona?
A memória não funciona como uma câmera que registra tudo ao redor.
O cérebro seleciona ativamente o que vale guardar e descarta o restante. Esse processo ocorre em quatro etapas:
- Captação: a informação chega ao cérebro por meio dos sentidos;
- Codificação: o dado é convertido em um formato compreensível para o organismo;
- Armazenamento: a informação é fixada fisicamente no cérebro;
- Recuperação: a lembrança é acessada quando necessário.
Esse encadeamento acontece de forma contínua, mas a velocidade com que cada etapa acontece pode variar ao longo da vida.
Quais são os tipos de memória?
Nem toda lembrança é processada da mesma forma. O cérebro conta com três tipos de memória, cada um com uma função e duração específica:
Memória sensorial: capta impressões imediatas dos sentidos, mas retém a informação por apenas uma fração de segundo;
Memória de curto prazo: armazena dados temporariamente, por segundos ou minutos, apenas para uso imediato em tarefas cotidianas;
Memória de longo prazo: guarda fatos, eventos e habilidades de forma duradoura, sem limite conhecido de capacidade.
Entender como cada tipo funciona ajuda a compreender por que algumas lembranças desaparecem em segundos e outras permanecem por décadas.
Como o cérebro decide o que guardar?

A permanência de uma lembrança depende da relevância que o cérebro atribui a ela, mas as emoções podem ter um papel importante nessa decisão.
O tipo de memória funciona como uma espécie de primeiro filtro. A memória sensorial, como o cheiro de um bolo assando, por exemplo, gera um registro de curtíssima duração.
Se o estímulo não tiver importância para o contexto, ele é rapidamente descartado. Porém, se ele estiver ligado a uma emoção forte, o cérebro entende que a informação é valiosa e a transfere para a memória de longo prazo.
É por isso que até mesmo estímulos sensoriais, como o cheiro de bolo ou de chuva, podem ativar uma lembrança.
Por que idosos lembram do passado, mas esquecem o presente?
É comum que pessoas mais velhas descrevam eventos da juventude com riqueza de detalhes, mas tenham dificuldade de lembrar o que aconteceu na semana anterior. Isso não é acaso.
As memórias antigas já estão profundamente consolidadas na memória de longo prazo, construídas ao longo de décadas de reforço contínuo.
Com o envelhecimento natural, o que se altera não é esse acervo consolidado, mas a velocidade de processamento e a capacidade de formar novas memórias de curto prazo.
Focar a atenção e reter informações recentes se torna mais lento e mais desafiador, enquanto as lembranças antigas permanecem intactas.
Esse fenômeno faz parte do envelhecimento cognitivo normal e é diferente das demências, como o Alzheimer.
Como a alimentação pode contribuir para a memória
Para que as etapas de captação, codificação e armazenamento funcionem bem, o cérebro precisa de nutrientes específicos e a alimentação pode ter um papel preventivo nessa equação.
Entre os compostos mais estudados estão os flavonoides. Eles são pigmentos naturais que dão cores vibrantes a frutas e vegetais.
Um estudo da Universidade de Harvard concluiu que indivíduos com maior consumo diário de flavonoides têm 19% menos chances de relatar problemas de memória.
Algumas frutas se destacam pela alta concentração desses compostos:
- Maçã
- Morango
- Mirtilo
- Banana
- Laranja
A inclusão delas no cardápio já é suficiente para aumentar a ingestão desses compostos ao longo do dia.
Mas não é só a alimentação que tem papel importante na prevenção de danos à memória.
Como cuidar da memória no dia a dia?
A proteção do cérebro depende de um conjunto de hábitos. Algumas atitudes têm respaldo científico:
- Apostar no ômega-3: presente em peixes gordurosos (como salmão) e nozes, beneficia a saúde cerebral e cardiovascular.
- Gerenciar o estresse e dormir bem: tensão contínua e privação de sono prejudicam diretamente a capacidade de armazenar informações.
- Reduzir o tempo de tela: o consumo excessivo de conteúdo digital pode gerar fadiga cognitiva, comprometendo foco e atenção.
Cuidar do corpo é a forma mais eficaz de proteger o cérebro. Converse com seu médico sobre a sua saúde cognitiva.
Fontes: Healthline, Cleveland Clinic (1, 2), Harvard Health Publishing (1,2), Hospital Alemão Oswaldo Cruz