Saúde em Pauta

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Prevenção e tratamento de doenças
Publicação 02 jun 2022
Atualização 30 abr 2026

6 tipos de dor de cabeça: como identificar os sinais

A dor de cabeça pode aparecer no final de um dia cansativo, depois de muitas horas em frente às telas ou até sem motivo aparente.

Em muitos casos, ela passa sozinha. Em outros, pode se tornar frequente, mudar de padrão e começar a interferir na rotina.

Esse cenário é mais comum do que parece. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), a dor de cabeça atinge cerca de 140 milhões de brasileiros, e até 95% das pessoas terão pelo menos um episódio ao longo da vida.

A dor de cabeça pode ter diferentes causas e formas de apresentação. Entender como esses padrões se manifestam é essencial para orientar o cuidado e evitar a automedicação.

Quando a dor de cabeça é sinal de alerta

Nem toda dor de cabeça indica um problema grave. Muitas vezes, ela está relacionada a fatores do dia a dia, como estresse, noites mal dormidas ou alimentação irregular.

Por outro lado, há situações em que ela funciona como um sinal de alerta do organismo. Quando a dor se torna mais frequente, mais intensa, passa a se comportar de forma diferente do habitual ou a interferir nas atividades do dia a dia, pode indicar a necessidade de avaliação médica.

De forma geral, as cefaleias podem ser divididas em dois grupos:

  • Primárias: quando a dor é o problema principal
  • Secundárias: quando a dor é sintoma de outra condição

Essa distinção ajuda a entender por que algumas dores podem ser controladas com mudanças de hábito, enquanto outras exigem investigação médica.

Como identificar o tipo de dor de cabeça

A forma como a dor se manifesta e a região afetada podem dar pistas importantes sobre o que está por trás do sintoma.

Abaixo, é possível observar alguns padrões:

Esses padrões ajudam na identificação inicial, mas não substituem a avaliação médica, especialmente quando os episódios se tornam frequentes ou mudam de característica.

Pressão ao redor da cabeça: o tipo mais comum

A cefaleia tensional é o tipo mais frequente de dor de cabeça e costuma estar relacionada à tensão muscular decorrente da sobrecarga do dia a dia. A dor aparece como uma pressão contínua, afetando os dois lados da cabeça, e não costuma piorar com atividades simples.

Embora seja considerada mais leve, pode se tornar recorrente e impactar a qualidade de vida.

Dor pulsátil de um lado da cabeça: pode ser enxaqueca

A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça mais intensa e, muitas vezes, incapacitante. A dor costuma ser pulsátil, localizada de um lado da cabeça e pode piorar com esforço físico.

É comum que venha acompanhada de náuseas e sensibilidade à luz, sons ou cheiros. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), é mais frequente entre adultos de 35 a 45 anos, especialmente em mulheres.

Dor intensa ao redor de um olho

A cefaleia em salvas é mais rara, mas se destaca por crises de dor muito intensa. As dores são sempre de um lado, localizadas ao redor do olho ou da têmpora.
Os episódios costumam ser curtos, porém repetitivos, e podem vir acompanhados de sinais no mesmo lado do rosto, como lacrimejamento ou mesmo congestão nasal. Como a dor é muito intensa, é importante buscar avaliação médica.

Dor na face e ao redor dos olhos

A dor sinusal está associada à inflamação dos seios da face. Costuma causar sensação de pressão no rosto, que piora ao abaixar a cabeça ou deitar.

Quando acompanhada de congestão nasal, secreção ou febre, indica a necessidade de investigar a causa da inflamação.

Dor nas têmporas

A dor de cabeça temporal pode estar relacionada à tensão muscular ou à sobrecarga, especialmente em períodos de estresse ou esforço prolongado.
Pode ser descrita como uma pressão ou desconforto lateral e aparecer isoladamente ou associada a outros tipos de dor de cabeça.

Dor na parte de trás da cabeça

A dor na região da nuca pode estar relacionada à tensão muscular, mas também pode indicar alterações na pressão arterial.
Quando associada a picos de pressão, tende a ser pulsátil, mais intensa pela manhã e melhora com a normalização dos níveis. Não costuma ocorrer quando o aumento da pressão é leve ou moderado, por isso, pode indicar uma situação que exige avaliação médica com urgência.

Hábitos que podem desencadear a dor de cabeça

Alguns comportamentos do dia a dia podem favorecer o surgimento ou a recorrência da dor de cabeça.

Entre os mais comuns estão:

  • Estresse e sobrecarga emocional
  • Alimentação irregular ou longos períodos de jejum
  • Alterações no sono, como dormir pouco ou em horários irregulares
  • Sedentarismo

Além disso, permanecer por longos períodos em atividades que exigem concentração visual ou manter a mesma postura por muito tempo – como no uso prolongado de telas – pode contribuir para o surgimento da dor, especialmente quando há tensão muscular ou esforço repetitivo.

Identificar esses fatores e ajustar hábitos é um passo importante para reduzir a frequência dos episódios.

Dor de cabeça e automedicação

De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, oito em cada dez pessoas com dor de cabeça recorrem à automedicação.

Esse hábito pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e, em alguns casos, agravar o quadro. O uso frequente de analgésicos pode causar o chamado efeito rebote. O medicamento alivia a dor no momento, mas seu uso repetitivo faz com que a dor se torne crônica e passe a ocorrer mais vezes.

Identificar o tipo de dor de cabeça vai além de reconhecer o desconforto. Observar onde a dor aparece, como se comporta e com que frequência se repete ajuda a diferenciar episódios pontuais de situações que precisam de mais atenção.

Esse cuidado permite decisões mais conscientes,  seja com ajustes de rotina ou com a busca por avaliação médica.

Com esse entendimento, a dor de cabeça deixa de ser apenas um incômodo e passa a ser um sinal importante sobre a própria saúde.

Fontes: Sociedade Brasileira de Cefaleia (1, 2), Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (1, 2), MSD Manuals, National Headache Foundation, Web MD, Sociedade Internacional de Cefaleia

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil