Saúde em Pauta

/
Prevenção e tratamento de doenças
Publicação 30 abr 2026
Atualização 30 abr 2026

O que são as doenças inflamatórias intestinais

Dores na barriga que não passam, diarreia recorrente, cansaço sem explicação. Será que é só estresse ou o corpo está tentando dar um sinal de alerta?

Quando esses sintomas se tornam frequentes, podem estar relacionados às doenças inflamatórias intestinais (DIIs), um grupo de condições crônicas que afetam o trato digestivo e têm apresentado aumento no diagnóstico no Brasil.

Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acompanhou esse cenário ao longo de dez anos e o resultado apontou um crescimento expressivo: a incidência das doenças inflamatórias intestinais aumentou quase sete vezes no período.

Apesar de não terem cura definitiva, as DIIs podem ser controladas com acompanhamento médico adequado, permitindo mais qualidade de vida.

Entender a doença é o primeiro passo para cuidar bem da saúde intestinal.

O que são as doenças inflamatórias intestinais?

As doenças inflamatórias intestinais são condições caracterizadas por inflamação crônica no trato digestivo.

Em condições normais, o sistema imunológico atua para combater agentes invasores, como bactérias e vírus. Nas DIIs, essa resposta se torna desregulada, fazendo com que o organismo ataque células saudáveis do próprio intestino.

Existem dois tipos principais de DIIs:

  • Doença de Crohn: pode atingir qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, embora seja mais comum na parte inferior do intestino delgado (íleo) e no intestino grosso. A inflamação costuma ser profunda, afetando todas as camadas da parede intestinal.
  • Colite ulcerativa: acomete apenas o intestino grosso (cólon) e ao reto. Nesse caso, a inflamação atinge a camada mais superficial e pode causar úlceras na mucosa intestinal.

Apesar das diferenças, ambas apresentam sinais de alerta semelhantes e exigem acompanhamento contínuo.

Quais são os principais sintomas das doenças inflamatórias intestinais?

Os sintomas das doenças inflamatórias intestinais podem variar conforme a intensidade da inflamação e região afetada.

As crises podem surgir de forma repentina, durar dias ou semanas, e alternar com períodos de remissão, quando os sintomas diminuem ou desaparecem temporariamente.

Entre os principais sinais de alerta, estão:

  • Cólica e dor abdominal frequente;
  • Diarreia persistente (com presença de muco e/ou sangue);
  • Febre durante as crises;
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso sem motivo aparente.

Além disso, o cansaço extremo e a fadiga persistente também são sintomas comuns e, muitas vezes, subestimados.

Doenças inflamatórias intestinais:  causas e os fatores de risco

Ainda não existe uma causa exata para as doenças inflamatórias intestinais. O que se sabe por enquanto é que elas resultam de uma combinação complexa de fatores, que pode incluir:

Genética: familiares de primeiro grau diagnosticados com DIIs corre de 4 a 20 vezes mais risco de desenvolver a condição.


Idade: a maioria dos diagnósticos o ocorre antes dos 30 anos, com pico entre os 14 e 24 anos.


Tabagismo: aumenta o risco da doença de Crohn, piora a evolução e eleva o risco de complicações.


Uso frequente de medicamentos: pode irritar o intestino e agravar ou aumentar o risco da doença.

Reconhecer esses fatores ajuda a identificar quando é importante uma avaliação médica mais cuidadosa.

Como é feito o tratamento das DIIs

Embora não tenha cura, para essas doenças, os avanços da medicina oferecem boas ferramentas para controlar a inflamação e manter os sintomas inativos.

O tratamento é sempre individualizado e definido junto com um gastroenterologista.

As abordagens mais comuns envolvem:

Tratamento medicamentoso: pode envolver anti-inflamatórios e corticosteroides para conter as crises até imunomoduladores e terapias biológicas avançadas, que atuam diretamente no sistema imunológico.

Tratamento cirúrgico: indicado em casos específicos, quando há compleicações ou falha no controle de medicamentos. Ajustes na alimentação também devem fazer parte do cuidado.

Fracionar a dieta em pequenas refeições, manter boa hidratação e seguir orientação de um nutricionista são passos fundamentais para evitar a desnutrição e ajudar no controle dos sintomas durante as crises.

Doenças inflamatórias intestinais no dia a dia

Conviver com uma doença inflamatória intestinal exige paciência e adaptações, mas não impede a manutenção da qualidade de vida.

Hábitos saudáveis ajudam no controle da doença e na redução da frequência das crises.

Exercícios físicos leves, técnicas de relaxamento e o manejo do estresse, são aliados importantes, já que o estresse pode atuar como fator desencadeante dos sintomas

O acompanhamento médico regular, com monitoramento e ajustes no tratamento, é essencial para manter a doença sob controle ao longo do tempo.

Quer saber mais sobre como adquirir e manter hábitos saudáveis? Confira outros conteúdos aqui no Portal Viver Bem.

Fontes: MSD Manuals (1, 2, 3), Mayo Clinic (1, 2) Arquivos de Gastroenterologia

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil