Saúde em Pauta

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Prevenção e tratamento de doenças
Publicação 03 jan 2018
Atualização 29 out 2026

Diabetes: tudo o que você precisa saber sobre tipos, sintomas e tratamento

O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou o organismo não consegue usá-la de forma eficaz. Há diferentes tipos, cada um com causas, sintomas e tratamentos distintos. O diabetes tipo 2 é o mais comum, representa mais de 95% dos casos e pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida. O diagnóstico precoce faz diferença: muitas pessoas têm diabetes e ainda não sabem.

O diabetes faz parte da vida de pelo menos 20 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). É gente que trabalha, viaja, come fora, pratica esporte, cuida dos filhos e ainda convive com uma condição crônica que precisa ser acompanhada de perto.

O que diferencia o diabetes de outras doenças crônicas é que costuma se desenvolver de forma silenciosa. Tanto que é possível alguém passar anos com a glicose elevada sem sentir nada, e é justamente por isso que muita gente que tem diabetes e ainda não sabe.

O que é diabetes?

O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz hormônio de insulina suficiente ou quando o corpo não consegue usar de forma eficaz a insulina que produz.

A insulina é o hormônio que regula a glicose no sangue. Quando ela falta ou não funciona bem, a glicose se acumula. Essa é a chamada hiperglicemia, uma condição que a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve como efeito comum do diabetes não controlado.

Ao longo do tempo, a hiperglicemia pode levar a danos sérios em vários sistemas do corpo, especialmente nos nervos e nos vasos sanguíneos.

Quais são os tipos de diabetes?

Diabetes tipo 1. Segundo a OMS, nem a causa nem a forma de preveni-lo são conhecidas, mas é caracterizado pela deficiência na produção de insulina devido a um processo autoimune: o próprio organismo encara as células responsáveis por produzir esse hormônio como uma ameaça e as ataca.

Embora seja mais frequente em crianças e adolescentes, também pode ser diagnosticado em adultos. De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento requer uso diário de insulina para controlar a glicose no sangue.

Diabetes tipo 2. Nesse caso, o organismo não utiliza a insulina disponível tão bem quanto deveria, e o pâncreas não consegue compensar essa dificuldade produzindo mais desse hormônio. Segundo a OMS, é o tipo mais frequente: mais de 95% das pessoas com diabetes apresentam o tipo 2 (condição que vem ocorrendo com frequência crescente em crianças). Uma de suas principais características é o fato de que se desenvolve aos poucos, sem muitos sinais aparentes no início.

Entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 estão o excesso de peso e a idade avançada.

Diabetes gestacional. Ocorre quando a hiperglicemia é detectada pela primeira vez durante a gravidez, em níveis que nem sempre atingem o diagnóstico formal de diabetes. É identificado por rastreamento no pré-natal, não por sintomas específicos.

A OMS explica que mulheres com diabetes gestacional têm risco aumentado de complicações na gestação e no parto, e tanto elas quanto os filhos têm risco aumentado de diabetes tipo 2 no futuro.

Outros tipos de diabetes. A Sociedade Brasileira do Diabetes utiliza essa expressão para agrupar diabetes que são causadas por motivos variados, como alterações genéticas que comprometem a ação ou produção da insulina, doenças no pâncreas, distúrbios hormonais, determinadas infecções ou como consequência do uso de alguns medicamentos.

E o pré-diabetes: o que é?

Essa condição acontece quando a glicose no sangue está acima do normal, mas ainda não atingiu níveis que caracterizam o diabetes, por isso, é uma condição que pode ser revertida. Ter atenção a isso é importante: de acordo com a SBD, cerca de 50% das pessoas com pré-diabetes desenvolvem diabetes tipo 2 em até dez anos. Como o pré-diabetes geralmente não provoca sintomas, vale o alerta de se manter exames clínicos atualizados. Quanto antes for descoberto, melhor. Sua reversão é possível com perda de peso, atividade física e alimentação equilibrada.

Quais são os sintomas do diabetes?

Os sinais mais conhecidos são sede excessiva, aumento da fome e vontade de urinar várias vezes ao dia. Mas eles podem mudar de acordo com o tipo de diabetes.

No diabetes tipo 1, o Ministério da Saúde também lista perda de peso, fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náuseas e vômitos. No tipo 2, podem ocorrer formigamento nas mãos e nos pés, infecções frequentes, feridas que demoram para cicatrizar e visão embaçada.

A OMS alerta que os sintomas de diabetes tipo 2 podem levar anos para serem percebidos. Por isso, algumas pessoas recebem o diagnóstico apenas quando as complicações já apareceram.

Exames regulares e acompanhamento de saúde ajudam no diagnóstico precoce.

Como fica a alimentação de quem tem diabetes?

Muita gente pensa que o diagnóstico de diabetes vem acompanhado da necessidade de se cortar açúcar e carboidratos. Mas a realidade não é bem essa.

A SBD orienta a seguir uma alimentação saudável, semelhante à indicada à população em geral. Isso significa que, em vez de uma dieta extremamente rígida, o cuidado envolve maior planejamento e atenção às escolhas e às quantidades consumidas.

Confira recomendações que podem ajudar a organizar a alimentação no dia a dia:

  • Faça de 5 a 6 refeições ao dia. Não deixe de fazer o café da manhã. Se não puder fazê-lo em casa, leve um lanche reforçado.
  • Nos lanches, comece sempre pelas frutas, de preferência, com casca e/ou bagaço dependendo do tipo escolhido. Isso aumenta a ingestão de fibras, o que é essencial para o controle da glicemia.
  • No almoço e no jantar, continue a comer o tradicional arroz com feijão.
  • Metade do prato deve ser de vegetais coloridos, principalmente os verde-escuros e amarelos, crus ou cozidos. Evite molhos gordurosos.
  • Escolha pequenas porções de carnes magras e faça rodízio entre brancas, vermelhas e ovo. Experimente também proteínas de origem vegetal, como as leguminosas.
  • Evite açúcares e alimentos açucarados. Se precisar, use adoçante em pequena quantidade, evitando os produtos à base de frutose, que podem elevar a glicemia.
  • Evite frituras e diminua margarina e as gorduras animais (carnes gordas, queijos amarelos, embutidos, manteiga, requeijão e creme de leite). Queijos mais magros, como ricota, minas frescal e cottage, são alternativas.
  • Diminua o sal. Grande parte das pessoas com diabetes também tem pressão arterial elevada.
  • Prefira alimentos menos processados: pães integrais, aveia, arroz integral, macarrão integral.
  • Evite bebida alcoólica e tome água várias vezes ao longo do dia.
  • Inclua a consulta com nutricionista como parte da rotina de cuidado. Personalizar a dieta às suas necessidades é fundamental para o controle do diabetes.

O que muda na rotina de quem tem diabetes?

Muito mais do que apenas ajustes na alimentação. Saúde emocional, nível de atividade física, cuidado com a pele, os olhos e a boca precisam entrar em cena.

Segundo o Ministério da Saúde, ao receber o diagnóstico de diabetes, é comum a pessoa ficar em choque, entrar em negação, sentir medo, raiva e tristeza. Considerar todos esses aspectos é importante porque a depressão ocorre duas vezes mais quem tem diabetes do que a população em geral, com taxa ainda maior entre as mulheres.

A ansiedade também aparece com frequência, de uma forma específica: o medo de hipoglicemia pode levar a pessoa a manter a glicemia acima das metas, justamente por receio de que ela caia.

De acordo com a SBD, a hipoglicemia é mais comum em quem tem diabetes porque o principal tratamento para a doença envolve o uso de insulina ou medicamentos que fazem exatamente isso: reduzir o açúcar no sangue.

Fazer exercícios também entra como parte da rotina. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda que adultos pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias.

Nesse caso, só é preciso ter maior cuidado com as atividades vigorosas, já que pode haver risco de hiper ou hipoglicemia. Para manter tudo controlado e executar os exercícios com segurança, é fundamental ajustar insulina e alimentação com a ajuda de um profissional de saúde.

Os pés passam a pedir atenção diária. Pela combinação de redução de sensibilidade e menor fluxo sanguíneo, feridas podem passar despercebidas. A orientação é cuidar da pele, usar calçados adequados e procurar o médico assim que observar qualquer alteração.

De acordo com o Ministério da Saúde, as visitas ao oftalmologista também precisam se tornar mais frequentes: anualmente ou a cada dois anos, mesmo se a pessoa estiver se sentindo bem. Isso porque a glicemia alta pode causar danos na retina que nem sempre apresentam sintomas.

Outro profissional que deve passar a ter mais presença na rotina de quem tem diabetes é o dentista. A SBD explica que a periodontite aumenta os níveis de glicose no sangue e pode dificultar o alcance da meta glicêmica.

Isso acontece porque essa inflamação crônica na boca libera na corrente sanguínea alguns tipos de substâncias que podem bloquear a ação da insulina. Daí a necessidade de um monitoramento periódico desse especialista.

Por que o diabetes causa complicações?

Quando a glicose permanece elevada e a doença não é adequadamente acompanhada, diferentes partes do organismo podem ser afetadas.

A OMS relaciona o diabetes a complicações como doença renal, infarto, acidente vascular cerebral, perda de visão e amputações de membros inferiores.

O Ministério da Saúde também aponta para neuropatia, alterações nos pés, doença renal e retinopatia diabética. Algumas delas podem evoluir sem sinais evidentes no início.

Mas isso não significa que toda pessoa com diabetes vai desenvolver complicações.

A OMS explica que as consequências do diabetes podem ser evitadas ou adiadas por meio de estilo de vida saudável, uso correto de medicamentos (quando necessários), rastreamento regular e tratamento adequado das complicações assim diagnosticadas.

Quais são os tratamentos para diabetes disponíveis hoje?

Segundo a OMS, uma das formas mais importantes de se tratar o diabetes é manter um estilo de vida saudável combinado ao uso de medicamentos, quando necessário.

Nos últimos anos, surgiram novas opções de medicamentos injetáveis para o tratamento do diabetes tipo 2, incluindo uma classe chamada agonistas do receptor de GLP-1. Eles são indicados para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento da dieta e da prática de exercícios. Dependem de avaliação e prescrição médica.

Se você tem dúvidas sobre as opções de tratamento disponíveis para você, converse com o especialista que acompanha o seu caso.

Atenção! Nenhum tratamento para diabetes deve ser iniciado, alterado ou interrompido por conta própria. A escolha do medicamento, a dose e a combinação com outras medidas dependem do tipo de diabetes, da sua condição de saúde e do seu tratamento atual. Tudo definido sempre pelo médico.

Ainda sobre tratamento para diabetes, a OMS lembra que pode ser necessário olhar além da glicemia. Algumas pessoas podem precisar de medicamentos para reduzir a pressão arterial e o colesterol, justamente para reduzir o risco de complicações.

É possível prevenir o diabetes?

Sim, mas somente o diabetes tipo 2. De acordo com a OMS, a prevenção envolve, basicamente, mudanças no estilo de vida:

  • Alcançar e manter um peso corporal saudável;
  • Manter-se fisicamente ativo, com pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana;
  • Ter uma alimentação saudável, evitando açúcar e gordura saturada;
  • Não fumar.

Essas são as mesmas recomendações que podem ajudar a reverter o pré-diabetes e que fazem parte do tratamento de quem já tem a doença.

Perguntas frequentes sobre diabetes

Pré-diabetes é diabetes? Não. É quando a glicemia está aumentada, mas ainda não em níveis que diagnosticam o diabetes. Pode ser revertido com perda de peso, atividade física e alimentação equilibrada. Sem intervenção, cerca de 50% das pessoas evoluem para diabetes tipo 2 em até 10 anos, segundo a SBD.


O que é LADA? É o Diabetes Autoimune Latente do Adulto, uma forma autoimune de progressão lenta que aparece na vida adulta. De acordo com a SBD, até 12% dos casos diagnosticados em adultos correspondem a esse tipo que, no início, pode ser confundido com o diabetes tipo 2.


Diabetes tipo 2 sempre tem sintomas? Não. Segundo a OMS, os sintomas podem ser leves e demorar anos para serem percebidos. Por isso, exames de rotina com acompanhamento médico têm papel importante no diagnóstico precoce.


Quem tem diabetes pode comer fruta? Pode. A SBD afirma que nenhum tipo de fruta é proibido. A orientação é apenas preferir a fruta inteira ao suco (para que a glicemia não se eleve rapidamente) e ter atenção à quantidade, considerando o planejamento alimentar como um todo.


Quem tem diabetes pode comer arroz com feijão? Pode. A orientação da SBD para o almoço e o jantar é incluir essa combinação, além de carnes magras, vegetais e frutas, evitando alimentos ultraprocessados.


Diabetes tipo 2 só aparece em adultos? Não. A OMS registra que, até pouco tempo atrás, esse tipo era visto apenas em adultos, mas vem ocorrendo com frequência crescente também em crianças.


A partir de que idade devo fazer exames para diabetes? A SBD recomenda rastreamento regular para quem tem fatores de risco como sobrepeso, obesidade ou histórico familiar, independentemente da faixa etária. Converse com o seu médico sobre o momento certo para você.


Toda pessoa com diabetes precisa usar insulina? Não. A insulina é indispensável no diabetes tipo 1. No tipo 2, de acordo com a OMS, o tratamento varia e pode incluir mudanças de estilo de vida, medicamentos não insulínicos e, em alguns casos, insulina.


As novas canetas injetáveis para diabetes servem para qualquer tipo? Não. Os medicamentos injetáveis da classe dos agonistas de GLP-1 registrados pela Anvisa são indicados especificamente para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e ao exercício, e exigem avaliação e prescrição médica. Converse com o seu médico para saber se essa opção é adequada para o seu caso.


Essas canetas substituem a dieta e o exercício? Não. A indicação aprovada é como adjuvante, ou seja, complementar à dieta e ao exercício. Não substituem mudanças no estilo de vida.


Diabetes causa depressão? A depressão ocorre duas vezes mais em pessoas com diabetes do que na população em geral, atingindo cerca de 20% delas, segundo o Ministério da Saúde. Como está associada a pior controle glicêmico, tratá-la faz parte do cuidado com o diabetes.


Amputação é consequência inevitável do diabetes? Não. O Ministério da Saúde afirma que a maioria das amputações é evitável, com cuidados regulares e calçados adequados.


Diabetes tem cura? A OMS, a SBD e o Ministério da Saúde tratam o diabetes como uma doença crônica e abordam controle, tratamento e prevenção de complicações, não cura. Já o pré-diabetes pode ser revertido quando identificado precocemente.

Para saber mais sobre prevenção e cuidado com a saúde, continue navegando pelo Portal Viver Bem.

Fontes: Guia de Atividade Física da População Brasileira, Ministério da Saúde (1, 2, 3), Organização Mundial da Saúde e Sociedade Brasileira do Diabetes (1, 2, 3)

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil