Nas mulheres, o infarto costuma se manifestar como uma pressão ou aperto no peito, e não como a dor aguda associada ao quadro masculino. Cansaço fora do comum, falta de ar, náusea e dor no pescoço, nos ombros ou na mandíbula também são sinais frequentes. Os sintomas raramente aparecem todos juntos. Diante de qualquer suspeita, o atendimento deve ser imediato.
Nas mulheres, o infarto raramente se parece com a cena que aprendemos a reconhecer. Em vez da dor forte no peito, costuma vir um aperto, um cansaço que não passa, falta de ar ou náusea: sinais que costumam ser associados a um mal-estar geral e que, por isso, podem passar despercebidos.
As doenças do coração respondem por cerca de 30% das mortes de mulheres no Brasil e, somadas, já superam os números do câncer de mama e de útero. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, uma mulher morre de infarto no país a cada 11 minutos.
Reconhecer os sinais encurta o tempo entre o primeiro sintoma e o atendimento, o que pode ser decisivo em caso de infarto.
Por que os sintomas de infarto são diferentes nas mulheres?
Porque o coração feminino é fisicamente diferente. Em comparação com o dos homens, é um pouco menor, pesa menos e bombeia menos sangue a cada batida.
As artérias que o alimentam são cerca de 15% mais estreitas que as do homem, e ele bate até 10% mais rápido: trabalha mais, com “tubulação” mais fina.
Quando uma dessas artérias vai obstruindo, o aviso que o corpo dá tende a ser difuso. Por isso, o que a mulher sente é um desconforto espalhado, não uma dor concentrada em um ponto.
A segunda razão não é anatômica. Infelizmente, o infarto ainda é visto como “coisa de homem”. Isso faz com que a queixa feminina seja levada menos a sério no atendimento médico e também pela própria mulher, que, por não considerar o infarto, pode naturalizar o cansaço como algo da rotina corrida e a azia como culpa do almoço.
A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que as dores femininas são subvalorizadas. Por isso, elas chegam mais tarde ao pronto-socorro e, com um quadro menos típico de problema cardíaco, correm mais risco de não receber o diagnóstico certo.
Quais são os sintomas de infarto em mulheres?
O sinal mais comum é uma sensação de pressão ou aperto no peito: diferente da dor aguda geralmente atribuída ao infarto. Os sete mais frequentes são:
1. Pressão ou aperto no peito. Descrito como peso, aperto ou queimação, e não como pontada. É difuso: não dá para apontar o ponto exato com o dedo.
2. Ardência ou queimação. Pode acontecer na pele ou no peito e até ser confundida com azia.
3. Dor no pescoço, nos ombros, na mandíbula ou no rosto. Regiões que não associamos ao coração. A dor nas costas também pode ocorrer.
4. Falta de ar. Sozinha ou junto com outros sinais. Geralmente, é um cansaço respiratório desproporcional ao esforço feito.
5. Cansaço fora do comum. Diferente do cansaço de um dia difícil, não melhora com descanso.
6. Náusea, vômito ou sensação de indigestão. Facilmente atribuídos a um possível problema de estômago.
7. Palpitações. A mulher pode perceber o coração batendo acelerado ou fora do ritmo.
Lembrando que os sintomas quase nunca aparecem todos juntos. Algumas mulheres sentem só um; outras, dois ou três. Não existe um conjunto completo de sinais que se deve esperar para procurar ajuda: isso deve ser feito imediatamente.
Outro ponto de atenção é quanto aos sintomas de infarto entre quem tem diabetes. Nesses casos, o quadro pode se apresentar sem sinal característico nenhum, o que torna qualquer mal-estar súbito digno de atenção.
Qual a diferença entre os sintomas de infarto em homens e mulheres?
Os sintomas do infarto em mulheres são, em muitos casos, diferentes da clássica dor no peito relatada por homens. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, náuseas, vômitos, dor nas costas e no pescoço, falta de ar e indigestão podem ser sinais de alerta para um infarto em mulheres.
Os especialistas explicam que o tipo de dor na mulher se assemelha mais a uma queimação no peito, com falta de ar, náuseas, mal estar, sensação de morte. Nas idosas, ainda pode ocorrer também um aperto forte no peito, com irradiação para o braço esquerdo e sudorese.
Lembrando que, em caso de infarto, mulheres também podem apresentar o quadro clássico e homens, sintomas atípicos. Daí a importância do atendimento médico de emergência para diagnóstico correto.
Quais os fatores de risco de infarto em mulheres?
Hipertensão, diabetes, colesterol alto, cigarro, sedentarismo e histórico familiar valem para todos, mas existem fatores específicos da saúde da mulher que raramente entram na conversa sobre saúde do coração:
Gravidez. A gestação altera o sistema cardiovascular e exige atenção própria. Até porque existem condições cardiovasculares que só ocorrem nesse período (pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hipertensão gestacional e miocardiopatia periparto). Além disso, problemas cardíacos já existentes podem se agravar na gravidez. A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que muitas gestantes desconhecem essas situações e aponta o pré-natal como a principal ferramenta de proteção.
Jornada dupla e tripla. Trabalho, cuidado com os filhos e afazeres domésticos elevam o estresse de forma constante na vida das mulheres. Combinada à falta de tempo para atividade física e à alimentação apressada, essa sobrecarga pode comprometer a saúde do coração.
Cigarro somado a anticoncepcional. Até a menopausa, os estrógenos funcionam como uma proteção natural das artérias. A associação entre cigarro e pílula anticoncepcional cancela esse efeito. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, nas mulheres mais jovens, a combinação iguala o organismo feminino ao masculino em termos de risco cardiovascular.
Menopausa. Com a queda hormonal, a proteção das artérias diminui e a incidência de doença cardiovascular pode aumentar. É uma fase que pede mais acompanhamento.
O que vale para homens e mulheres: segundo o Ministério da Saúde, quem tem diabetes ou hipertensão corre de duas a quatro vezes mais risco de sofrer um infarto.
Infarto em mulher é mais grave?

A resposta envolve uma combinação de fatores. Antes da menopausa, o estrogênio exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. Com a redução desse hormônio, esse benefício diminui.
Além disso, embora não seja uma regra, as mulheres tendem a apresentar infarto em uma faixa etária mais avançada que os homens. Com isso, é mais comum que já convivam com condições como hipertensão, diabetes e doença renal crônica, que podem piorar o prognóstico do infarto.
Outro fator importante está nos sintomas. As mulheres apresentam com maior frequência manifestações consideradas atípicas, como dor na região do estômago e náuseas, em vez da dor no peito mais clássica e mais frequente nos homens.
Isso pode dificultar o reconhecimento do infarto e atrasar o diagnóstico e o início do tratamento para restabelecer o fluxo sanguíneo do coração, aumentando o risco de complicações e mortalidade.
Outro ponto de atenção é a percepção sobre os cuidados preventivos.
Enquanto muitas mulheres tendem a enxergar o câncer como a principal ameaça à saúde, as doenças cardiovasculares também representam uma importante causa de mortalidade feminina.
Por isso, é essencial incluir os cuidados com o coração e a prevenção cardiovascular entre os hábitos de rotina.
Como prevenir o infarto no dia a dia?
O Ministério da Saúde estima que 80% dos ataques cardíacos e infartos prematuros poderiam ser evitados com um estilo de vida que inclui:
Aferir a pressão arterial com regularidade. A hipertensão é a maior causa de infarto e AVC, e não costuma ter sintomas. Por isso, em qualquer consulta, de qualquer especialidade, peça para aferir pressão, frequência cardíaca e peso.
Manter exames atualizados. Especialmente de colesterol e glicemia, além daqueles específicos para o seu quadro clínico.
Prática regular de atividade física. A recomendação do Ministério da Saúde é de pelo menos 150 minutos por semana. Caminhadas de 30 minutos por dia já contam, assim como trocar o elevador pela escada.
Alimentação saudável. Mais verduras, legumes, grãos e frutas; menos sal. Investir em comida caseira e menos em ultraprocessados também é interessante para o coração.
Não fumar. O tabagismo é a maior causa evitável de doenças e mortes precoces. Para quem usa anticoncepcional, é o fator de risco mais importante da lista.
Dormir bem. O sono de qualidade é parte do cuidado com a saúde cardiovascular.
Controlar o estresse. Práticas como ioga e meditação ajudam. No caso de mulheres que fazem jornada dupla, dividir as tarefas domésticas também pode contar como medida de prevenção cardiovascular.
Se hipertensão, diabetes ou colesterol alto já foram diagnosticados, manter essas condições controladas é essencial. Siga sempre o tratamento indicado pelo seu médico.
Quando procurar atendimento de emergência?
Diante de qualquer suspeita de que algo não vai bem. O infarto é uma emergência e os primeiros minutos determinam quanto do músculo cardíaco será preservado: quanto antes o tratamento começa, menor a lesão.
Procure o pronto-socorro mais próximo ou acione o serviço de emergência se sentir:

- Dor, aperto, pressão ou queimação no peito;
- Falta de ar sem explicação;
- Dor no pescoço, ombros, costas, mandíbula ou rosto acompanhada de mal-estar;
- Náusea, suor frio ou palidez junto com qualquer desconforto no peito;
- Sensação de desmaio ou mal-estar súbito e intenso.
Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres
Mulher jovem pode infartar? Pode. A doença cardiovascular vem crescendo entre mulheres de 15 a 49 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. A combinação de cigarro com anticoncepcional é um dos fatores de risco mais observados nessa faixa etária.
Infarto em mulher sempre dói no peito? Não. A dor pode ser leve, aparecer como pressão, queimação ou nem aparecer. Cansaço, falta de ar e náusea, às vezes, são os únicos sinais. Lembrando que uma parcela significativa dos infartos ocorre sem sintomas claros, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Ansiedade pode ser confundida com infarto? Os sintomas se parecem, e é por isso que a avaliação médica é necessária. Atribuir o mal-estar à ansiedade é uma das razões mais comuns para o atraso no atendimento de um quadro de infarto.
Anticoncepcional aumenta o risco de infarto? De acordo com especialistas do HCor, esse tipo de hormônio favorece a contração dos vasos, o que favorece a formação de coágulos que podem dificultar a circulação do sangue. Nessa condição, as chances de a mulher sofrer um infarto ou derrame são maiores.
Grávida pode ter problema cardíaco? Pode. A gestação traz alterações que exigem atenção cardiovascular, e existem condições próprias desse período. É por isso que a Sociedade Brasileira de Cardiologia insiste na importância do pré-natal.
Depois da menopausa o risco aumenta? Sim. Os estrogênios protegem as artérias, e essa proteção diminui com a menopausa. A incidência de doença cardiovascular sobe nessa fase.
Estresse causa infarto? O estresse crônico é reconhecido como fator de risco cardiovascular. No caso das mulheres, a sobrecarga da jornada dupla e tripla é apontada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia como um dos elementos que comprometem a saúde do coração.
Se quiser saber mais sobre cuidados com a saúde da mulher e como adotar novos hábitos para mais qualidade de vida, confira outros conteúdos do Portal Viver Bem.
Fontes: Ministério da Saúde, HCor e Sociedade Brasileira de Cardiologia (1, 2)