Para atenuar o calor, feche as cortinas nos períodos mais quentes e abra as janelas à noite para refrescar a casa. Beba água antes de sentir sede e evite o sol entre 10h e 16h. Sinais leves de estresse térmico como sede excessiva, tontura e cãibras podem ser tratados em casa. Confusão mental, desmaio e temperatura muito alta exigem atendimento médico imediato.
As ondas de calor estão acontecendo com cada vez mais frequência. Segundo o Ministério da Saúde, são eventos em que as temperaturas superam o esperado para a região e a época do ano, podem durar dias ou semanas e vêm aumentando em frequência e intensidade.
Nas cidades, o problema é ainda maior por causa do efeito de ilha de calor: a concentração de edifícios, concreto e asfalto retém mais calor e eleva ainda mais as temperaturas.
Além de causar desconforto, isso atinge a saúde física, a alimentação e também o emocional, podendo pesar de forma diferente sobre cada integrante da família.
Por que o calor excessivo é tão perigoso?

O Ministério da Saúde lista quatro impactos principais das ondas de calor na saúde:
1 Desidratação. A exposição prolongada leva à perda excessiva de líquidos e eletrólitos. Se não tratada, pode evoluir para quadros mais graves.
2 Insolação ou golpe de calor. A insolação acontece quando a temperatura corporal fica acima de 40 °C, afetando nossa capacidade de transpirar e, consequentemente, de se resfriar.O golpe de calor é uma emergência médica: acontece quando o organismo não consegue regular a temperatura interna, levando a confusão, convulsões e perda de consciência. Se não tratado rapidamente, ambas podem ser fatais.
3 Agravamento de doenças crônicas. Pessoas com condições cardíacas e respiratórias são especialmente vulneráveis, porque o esforço extra para manter a temperatura corporal sobrecarrega o coração e os pulmões.
4 Problemas de saúde mental. Este é o impacto menos comentado. A exposição prolongada ao calor extremo pode agravar quadros de ansiedade e depressão, e aumentar o risco de violência e comportamento agressivo. O UNICEF ainda relaciona altas temperaturas a maior estresse, pior qualidade do sono e dificuldades de concentração em crianças e adolescentes.
Quem corre mais risco durante uma onda de calor?
O calor intenso pode afetar qualquer um, mas crianças, idosos, gestantes e pessoas com algumas condições de saúde são especialmente vulneráveis. O Ministério da Saúde inclui nesse grupo aquelas com diabetes e problemas renais, cardíacos, respiratórios ou circulatórios.
Isso não significa que os demais possam ignorar os cuidados. Segundo a OMS, o risco também depende de quanto tempo a pessoa fica exposta, da intensidade do calor e da possibilidade de permanecer hidratada e em ambientes mais frescos.
E dentro de uma mesma família, os cuidados não serão necessariamente iguais. Um bebê depende completamente de um adulto para evitar superaquecimento; uma pessoa idosa pode sentir menos sede; e um animal de estimação enfrenta riscos diferentes ao caminhar sobre um piso muito quente.
Daí a importância de individualizar o cuidado.
Como proteger a família do calor excessivo?
Nos dias mais quentes, é preciso combinar hidratação frequente, roupas leves, ambientes frescos e menos exposição ao calor nos horários críticos.
O Ministério da Saúde recomenda:
- Beber água regularmente mesmo sem sentir sede;
- Usar roupas leves e de cores claras;
- Planejar atividades externas para o começo da manhã ou o fim da tarde;
- Preferir refeições leves;
- Evitar bebidas alcoólicas e com cafeína, que podem favorecer a desidratação.
De acordo com o UNICEF, também vale acompanhar a previsão e os alertas oficiais. Saber com antecedência que haverá um dia especialmente quente permite reorganizar compromissos, exercícios, passeios e deslocamentos de quem é mais vulnerável.
Como deixar a casa mais fresca em dias muito quentes?
Fechando as cortinas durante o dia e abrindo as janelas à noite. É a medida mais simples e uma das mais eficazes.
A orientação é do UNICEF, que explica que, durante os períodos mais quentes, manter cortinas fechadas impede que o sol aqueça os cômodos; à noite, abrir as janelas deixa o ar mais fresco circular e refrescar a casa.
Outras medidas que podem contribuir para mais bem-estar dentro de casa:
- Use ventiladores e ar-condicionado, quando disponíveis, com um adendo: a partir de 40 °C, o ventilador pode perder eficácia e, em alguns casos, aumentar a sensação de calor em vez de reduzi-la, especialmente em ambientes fechados e úmidos, segundo a Organização Mundial da Saúde.
- Prefira roupas de cama de algodão. Segundo o UNICEF, o algodão é o material ideal em dias quentes, porque reduz a dermatite relacionada ao calor e absorve a transpiração. Tecidos não respiráveis devem ser evitados.
- Se a casa for um sobrado, prefira dormir no andar de baixo, quando possível. A orientação do UNICEF é feita especificamente para gestantes, mas que vale para toda a família.
- Tomar banhos frescos e aplicar panos úmidos sobre a pele são outras estratégias indicadas pela OMS para se refrescar dentro de casa.
Como planejar a rotina fora de casa?
Concentrando as atividades nos horários mais frescos e evitando o sol entre 10h e 16h.
O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição solar nesse intervalo e redobrar a atenção entre 11h e 15h, bebendo bastante água e permanecendo na sombra sempre que possível.
As orientações que valem para qualquer saída:

- Planeje antes. O UNICEF sugere verificar quão quente e úmido o dia vai ficar, para organizar as atividades externas.
- Use roupas leves, soltas e de cores claras, em tecidos que permitam a transpiração.
- Use protetor solar com FPS 30 ou mais e reaplique sempre que necessário, conforme orientação do Ministério da Saúde.
- Beba água em intervalos regulares, antes de sentir sede. Prefira água, água de coco e sucos naturais, e tenha cuidado com bebidas alcoólicas, que em excesso causam desidratação. O café também entra na lista de cuidados, porque pode aumentar a perda de líquidos.
- Leve uma garrafa de água e uma toalha pequena. A dica é do UNICEF: a toalha molhada no pescoço ajuda a refrescar.
- Faça refeições leves, dando preferência para frutas, verduras e saladas, e evitando comidas pesadas.
- Ao se exercitar, beba líquidos duas horas antes da atividade, durante e depois.

Falando sobre atividade física, o Ministério da Saúde faz uma ressalva importante: a prática regular é recomendada e previne doenças crônicas, mas atividades exaustivas, que levam à debilitação, produzem o efeito inverso e contribuem para a insolação.
Quais são os sinais de que o calor está afetando o corpo?
O UNICEF classifica entre os sintomas mais leves relacionados ao calor:
- Sede excessiva
- Boca seca ou pegajosa
- Suor intenso
- Fraqueza
- Tontura
- Náusea
- Vômito
- Erupções na pele
- Febre baixa
- Cãibras nos braços ou nas pernas
Temperatura corporal muito elevada, batimentos cardíacos e respiração acelerados e ausência de urina por muitas horas são sinais mais graves. O mesmo vale para dificuldade respiratória, convulsões, fraqueza muscular e perda de consciência nos quadros de insolação, segundo o Ministério da Saúde.
Nessas situações, não espere para ver se a pessoa melhora sozinha.
Enquanto o atendimento é providenciado, leve a pessoa para um ambiente fresco e ventilado. Panos úmidos e água fria sobre regiões como cabeça, pescoço, axilas e virilha podem ajudar.
O que não fazer, segundo o UNICEF: mergulhar bebês e crianças pequenas em água muito fria; apontar o ventilador diretamente para o rosto da pessoa, principalmente de bebês; dar medicamento para febre sem orientação do médico. Se a pessoa estiver inconsciente ou vomitando, deite-a de lado até a chegada do socorro.
Como proteger bebês e crianças do calor?
Bebês e crianças precisam de supervisão ativa porque nem sempre conseguem reconhecer ou comunicar que estão com calor ou desidratados.
Além dos sintomas característicos de que o calor está afetando o corpo, o UNICEF orienta observar choro sem lágrimas, redução do número de fraldas molhadas, olhos ou testa fundos, vômito e diarreia.
Para os menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, a orientação é manter a amamentação exclusiva, enquanto a pessoa que amamenta deve cuidar também da própria hidratação. A partir dos 6 meses, a água deve ser oferecida regularmente ao longo do dia.
As roupas dos pequenos devem ser leves e soltas, enquanto brincadeiras e exercícios ao ar livre precisam ser supervisionados e interrompidos regularmente para descanso: o UNICEF orienta pausas a cada 30 minutos.
Regra que não admite exceção: nunca deixe uma criança dentro de um veículo estacionado, nem por poucos minutos. A OMS alerta que a temperatura interna pode chegar rapidamente a níveis perigosos. Outro detalhe importante: nunca cubra o carrinho do bebê com um tecido seco para fazer sombra.
Quais cuidados as gestantes devem ter no calor?
Gestantes estão entre os grupos que precisam de atenção redobrada durante períodos de temperatura extrema.
O UNICEF recomenda organizar consultas, compromissos e tarefas para os horários mais frescos, reduzir atividades externas quando o calor estiver intenso, descansar e manter boa hidratação.
Exercícios leves ou moderados podem ser realizados desde que a gestante se sinta confortável, esteja hidratada e faça pausas adequadas, segundo o UNICEF.
Se ocorrer náusea intensa, contrações prematuras, desmaio, respiração ou batimentos cardíacos acelerados, inchaço e cãibras musculares durante episódios de calor, o UNICEF recomenda atendimento de emergência.
Por que os idosos sofrem mais com o calor?
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia explica que pessoas idosas podem apresentar redução da sensação de sede, menor percepção do calor e menor capacidade de eliminar o excesso de calor do organismo.
Isso aumenta a necessidade de atenção à hidratação e ao ambiente, mesmo quando a própria pessoa não reclama de calor ou pede água.
O Ministério da Saúde recomenda que idosos permaneçam em ambientes frescos e recebam líquidos regularmente, enquanto a OMS orienta manter contato frequente com pessoas acima de 65 anos, sobretudo aquelas que vivem sozinhas ou têm doenças cardíacas, pulmonares ou renais.
Na prática, o cuidado pode ser tão simples quanto telefonar para um familiar idoso nos dias de maior temperatura e perguntar não apenas “está tudo bem?”, mas também “você já bebeu água hoje?”.
Como proteger cães e gatos do calor?

Garantindo água sempre disponível e evitando passeios nos horários de sol forte, por causa das patas. As orientações são da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo:
- Atenção ao recipiente de água. No calor, os pets bebem mais. É preciso manter e estimular a ingestão de líquidos para que não desidratem.
- Evite passeios entre 10h e 16h. Diferente de nós, os animais não usam calçado e o asfalto quente pode causar queimaduras nas patas.
- Seque bem a pele e a pelagem após banhos ou brincadeiras com água. Pelagem úmida predispõe a doenças de pele.
- Mantenha o controle vacinal e as terapias preventivas em dia, para evitar complicações com picadas de insetos, pulgas e carrapatos (mais comuns nesta época de calor).
- Pets de pelagem clara precisam de protetor solar específico, com reaplicação regular em caso de grande exposição. Sem proteção, o risco inclui dermatites e câncer de pele.
- Cães braquicefálicos (aqueles de focinho curto) têm mais dificuldade para respirar e exigem atenção redobrada. Mantenha-os longe do calor excessivo e, se necessário, use tapetes gelados.
- Em viagens, mantenha a plaqueta de identificação, use caixa transportadora adequada e confira se a caderneta de vacinação está atualizada. As mesmas orientações valem para pets que ficarão em creche ou hotel.
Lembre-se: nos dias mais quentes, proteger a família não depende de uma única atitude. É a combinação de pequenos cuidados que reduz a exposição e ajuda o organismo a lidar melhor com a temperatura. E não banalize os sinais do corpo achando que são “coisas do calor”. Ele pode estar com dificuldade para enfrentar aquela temperatura e precisa da sua atenção.
Perguntas frequentes sobre calor excessivo
- O que fazer para refrescar a casa sem ar-condicionado? O UNICEF orienta a fechar cortinas e proteções das janelas durante os períodos mais quentes e abrir as janelas para aproveitar o ar mais fresco da noite. Desligar aparelhos elétricos desnecessários também ajuda.
- Tontura no calor é normal? Tontura está entre os sinais de alerta relacionados ao calor. Segundo o UNICEF, é importante interromper a exposição, ir para um ambiente fresco, resfriar o corpo e se hidratar. Se houver piora, outros sintomas ou dúvida sobre a gravidade, procure atendimento.
- Quais são os primeiros sinais de insolação? Dores de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, pulso rápido, temperatura elevada, distúrbios visuais e confusão mental, segundo o Ministério da Saúde.
- Bebês com menos de 6 meses precisam beber água no calor? O UNICEF orienta manter o aleitamento materno exclusivo para bebês menores de 6 meses. Quem amamenta deve reforçar a própria hidratação.
- Idosos precisam beber água mesmo sem sede? A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia explica que essa percepção pode diminuir com o envelhecimento. Por isso, a hidratação precisa receber atenção mesmo quando a pessoa idosa não relata sede.
- Por que não posso passear com o cachorro no meio do dia? A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo recomenda evitar passeios nos períodos de altas temperaturas, principalmente para prevenir queimaduras nas patas.
- Calor afeta o humor? Sim. Segundo o Ministério da Saúde e o UNICEF, a exposição prolongada ao calor extremo pode agravar quadros de ansiedade e depressão e aumentar o risco de comportamento agressivo.
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Fontes: Ministério da Saúde (1, 2), Organização Mundial da Saúde, Prefeitura de São Paulo, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e Unicef