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Gestantes e Bebês
Publicação 29 out 2026
Atualização 29 out 2026

Como cuidar da audição na infância

A maior parte das alterações auditivas em crianças decorre de acúmulo de cera ou de otite secretora, e ambas são tratáveis. Mesmo transitórias e de grau leve, essas alterações já afetam a aquisição de vocabulário e a atenção. Quase 60% da perda auditiva em crianças pode ser evitada, segundo a Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Uma das medidas de cuidado é nunca usar hastes flexíveis no ouvido do bebê ou da criança.

Quando uma criança parece não ouvir bem, o primeiro impulso dos pais costuma ser o susto. Mas vale saber de onde vem a maior parte desses casos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças em idade escolar geralmente apresentam algum tipo de alteração auditiva e a maior parte decorre de acúmulo de cera ou de otite secretora. As duas são tratáveis e quase 60% da perda auditiva pode ser evitada.

Por que a audição é tão importante nos primeiros anos?

A criança aprende a reconhecer sons, compreender o que é dito e, aos poucos, produzir a própria linguagem a partir das experiências auditivas que acontecem todos os dias.

A SBP destaca também a importância de uma audição adequada para a leitura e a escrita, já que esse aprendizado depende da associação entre letras e sons.

É por isso que alterações auditivas podem aparecer de maneiras que nem sempre fazem os pais pensarem imediatamente nos ouvidos.

Uma criança pode, por exemplo, parecer desatenta porque tem dificuldade de entender uma fala à distância. Em idade escolar, problemas de audição ou de processamento auditivo podem dificultar a compreensão do professor em ambientes com outros sons, como conversas, cadeiras se movimentando ou barulho vindo de fora da sala.

Como saber se algo está afetando a audição da criança?

A recomendação da SBP é que profissionais de saúde e da educação, bem como os familiares, observem o desenvolvimento da audição, da linguagem e da fala.

Os sinais que merecem atenção, segundo a SBP e o Ministério da Saúde:

  • A criança não reage a sons do ambiente ou à voz dos pais;
  • Demora a desenvolver a fala ou o vocabulário avança devagar;
  • Troca sons ou tem dificuldades de articulação;
  • Parece desatenta com frequência;
  • Pede para aumentar o volume ou se aproxima muito da TV;
  • Responde apenas quando olha para quem fala;
  • Apresenta queda no rendimento escolar.

Importante dizer que nenhum desses sinais, isoladamente, significa perda auditiva. O que eles indicam é a necessidade de uma avaliação médica.

Com o apoio de um especialista, é possível entender o que pode estar por trás desses comportamentos – e se, inclusive, tem relação com a audição. Em muitos casos, quando o problema está nos ouvidos, o diagnóstico varia entre otite e acúmulo de cera. Duas condições tratáveis.

Vamos entender mais sobre isso!

O que é otite média e por que é tão comum em crianças pequenas?

A otite média é uma inflamação que ocorre nos ouvidos, especificamente atrás do tímpano. A SBP explica que isso é muito frequente nos primeiros anos de vida por uma combinação de fatores: a imaturidade do sistema imunológico, a ocorrência frequente de resfriados e as características da tuba auditiva das crianças pequenas, que facilitam a chegada e dificultam a drenagem de secreções da orelha média.

Mas existe uma diferença importante entre otite média aguda e otite média secretora, segundo a SBP.

A forma aguda é uma infecção da orelha média e pode estar associada à dor. Febre e outros sintomas, porém, não são suficientes para confirmar o diagnóstico. Para isso, é preciso que o médico faça um exame dos tímpanos.

Já a otite média secretora é caracterizada pela presença de líquido na orelha média e pode ocorrer sem febre ou dor, mesmo estando acompanhada de perda auditiva leve ou moderada. Por isso, pode passar despercebida pelos pais.

Como saber se a criança está com otite?

Na otite média aguda, a dor de ouvido pode estar presente, mas reconhecer esse sintoma em um bebê nem sempre é simples.

A SBP alerta, inclusive, que o hábito de colocar a mão no ouvido não confirma uma otite: a criança pode fazer isso por coceira ou sensação de pressão. Febre também é um sintoma inespecífico. Por essa razão, a avaliação médica e a otoscopia (exame dos tímpanos) são fundamentais para o diagnóstico.

Em crianças maiores, a diminuição da audição ou a sensação de ouvido abafado pode ser percebida e relatada. Nos pequenos, justamente por não conseguirem explicar o que estão sentindo, mudanças no comportamento auditivo podem chamar mais atenção.

Na otite secretora, isso é ainda mais importante, porque ela pode ser silenciosa. A criança pode passar um período com líquido na orelha média sem reclamar de dor.

Por isso, a SBP explica que episódios repetidos de otite associados a mudanças na audição ou no desenvolvimento da fala merecem ser conversados com o pediatra.

Tem como prevenir a otite. As recomendações são da SBP: vacinação contra pneumococo (que precisa ser tomada em três doses no primeiro ano de vida), evitar o uso de chupeta ou restringi-lo às horas de sono, preferir escolinhas com menos de 10 alunos por sala e evitar a exposição da criança ao fumo passivo.

Agora que entendemos os principais pontos sobre a otite, vamos falar sobre outra condição tratável que também pode afetar a audição da criança: o acúmulo de cera de ouvido.

Cera de ouvido pode fazer a criança ouvir menos?

Sim. Seu acúmulo está entre as causas de alterações auditivas tratáveis citadas pela SBP. Mas associar ouvido limpo a ouvido sem cera pode ser um equívoco, já que o cerume tem função de proteção.

Os pediatras explicam que a cera ajuda a proteger o canal auditivo. Segundo o Ministério da Saúde, a exposição frequente à água pode remover parte dessa proteção e alterar as condições do canal, favorecendo a proliferação de micro-organismos.

Ao mesmo tempo, quando o cerume se acumula em excesso, pode dificultar a saída da água que entrou no ouvido. Nesses casos, se houver necessidade de retirada, a orientação é que ela seja realizada adequadamente por um profissional.

Ou seja: não é preciso tentar deixar o canal auditivo “sem cera” em casa.

Como higienizar o ouvido do bebê corretamente?

As recomendações da SBP e do Ministério da Saúde são medidas que reduzem o risco de danos auditivos, como uma lesão de tímpano:

  • Secar a parte externa do ouvido com uma toalha após o banho;
  • Limpar a orelha por fora, sem entrar no canal;
  • Dispensar as hastes flexíveis ou outro objeto que entre no canal auditivo.

Por que a haste flexível pode ser um problema? Além do risco direto ao tímpano, o objeto empurra a cera para dentro em vez de retirá-la e remove a camada que protege o canal. O resultado é o oposto do pretendido: mais acúmulo e mais vulnerabilidade a infecções. Essa regra vale, inclusive, para quando entra água no ouvido da criança: a haste flexível não deve ser usada como um meio para resolver o problema.

Entrou água no ouvido da criança. O que fazer?

A orientação é simples e vem do Ministério da Saúde: inclinar a cabeça para o lado do ouvido afetado e movimentar delicadamente a parte externa da orelha para ajudar a água a sair. Depois do banho, a parte externa pode ser seca com uma toalha.

Dor, vermelhidão, inchaço ou secreção no ouvido são sinais que merecem avaliação. O mesmo vale quando o incômodo não desaparece.

A atenção é importante porque a exposição prolongada à água pode favorecer a otite externa, também conhecida como “ouvido de nadador”, que é diferente da otite média. De acordo com o Ministério da Saúde, ela afeta a pele do canal auditivo externo (ou seja, antes do tímpano; na otite média, a inflamação ocorre na região após o tímpano). O “ouvido de nadador” pode começar com coceira, incômodo e sensação de ouvido abafado.

Se isso acontecer, a recomendação da SBP é a de procurar atendimento médico.

Perguntas frequentes sobre a audição do bebê

Meu bebê não responde ao som. O que pode ser? Uma situação isolada não confirma um problema auditivo. Se a dificuldade em responder aos sons ou ao chamado for repetida, especialmente quando acompanhada de alterações de comunicação ou desenvolvimento, converse com o pediatra para avaliação.


Como cuidar da audição na infância? As recomendações são da SBP: evitar barulhos altos. Sons acima de 100 dB causam danos permanentes em minutos, acima de 125 dB, em segundos; usar fones de ouvido com cuidado; tratar infecções adequadamente, sempre com acompanhamento médico; não usar hastes flexíveis nem colocar outros objetos no canal auditivo.


Pode usar cotonete no ouvido do bebê? Não. A orientação da SBP é não usar hastes flexíveis nem colocar outros objetos no canal auditivo, pelo risco de danificar partes sensíveis como o tímpano.


Como limpar o ouvido do bebê? Secando apenas a parte externa com uma toalha após o banho. O canal auditivo não deve ser limpo em casa.


Cera no ouvido faz mal? A cera é uma proteção natural do ouvido. O problema é o excesso, que pode afetar a audição e dificultar a saída da água do canal. A retirada, quando necessária, deve ser feita por um profissional.


Meu filho leva a mão ao ouvido. É otite? Não necessariamente. Segundo a SBP, a criança que leva a mão ao ouvido geralmente tem coceira ou sensação de pressão, já a criança com dor de ouvido não toca nem deixa tocarem no próprio ouvido. O diagnóstico é feito pelo médico, com exame do tímpano.


O que fazer se entrar água no ouvido? O Ministério da Saúde recomenda inclinar a cabeça para o lado afetado e movimentar delicadamente a parte externa da orelha. Nunca introduzir objetos.


Otite pode afetar o desenvolvimento da fala? Pode. A SBP registra que alterações auditivas, mesmo transitórias e de grau leve, estão associadas à desatenção e a déficits na aquisição do vocabulário e nas habilidades articulatórias.

Se quiser saber mais sobre os cuidados com a saúde da criança, continue navegando pelo Portal Viver Bem.

Fontes: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria (1, 2)

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil