Com a chegada do verão, o corpo perde mais líquidos por meio da transpiração, aumentando a necessidade de hidratação.
Quando a reposição da água não acompanha essa perda, a urina se torna mais concentrada. Isso dificulta a dissolução dos sais minerais presentes nela e favorecendo a formação de pedras nos rins.
Estudos clínicos mostram que os atendimentos por cálculo renal podem aumentar em até 30% nos meses mais quentes do ano.
O verão não é a causa direta do problema, mas marca um período em que o risco de desenvolver cálculo renal torna maior.
Compreender por que isso acontece é o primeiro passo para a prevenção.
Como o cálculo renal se forma
Para entender o que é cálculo renal, vale pensar nos rins como filtros do sangue. Eles eliminam substâncias que o corpo não precisa e mantêm o equilíbrio entre água e minerais.
Quando o corpo está desidratado e a urina se torna mais concentrada. Nesse cenário, os sais minerais presentes nela podem deixar de se dissolver adequadamente.
Essas substâncias se agrupam com mais facilidade, formando cristais que podem crescer e dar origem às pedras nos rins.
Por isso, qualquer fator que altere o volume e a composição da urina têm impacto direto no risco de desenvolver a doença.
Quem tem mais risco de desenvolver cálculo renal?
Algumas pessoas apresentam maior probabilidade de desenvolver cálculo renal ao longo da vida. Entre os principais fatores associados estão:
- Histórico familiar de cálculo renal
- Baixa ingestão de líquidos
- Consumo elevado de sal
- Obesidade
- Hipertensão
Quem já teve ao menos um episódio precisa reforçar a atenção.
Sem mudanças de hábito, o risco de recorrência pode aumentar de forma progressiva ao longo dos anos.
Sintomas de pedra nos rins: quando procurar ajuda

Os sintomas de cálculo renal variam de acordo com o tamanho e a localização da pedra.
Em alguns casos, ela pode permanecer silenciosa por um período. Em outros, provoca sinais intensos. Os mais comuns incluem:
- Dor forte nas costas ou na lateral do abdômen, que pode irradiar para a virilha
- Náuseas e vômitos
- Ardor ao urinar
- Presença de sangue na urina
Dor intensa associada a febre, dificuldade para urinar ou presença de sangue na urina exigem avaliação médica imediata.
Por que nem toda pedra no rim é igual
As pedras podem se formar em diferentes partes do sistema urinário e apresentar composições distintas. Elas podem surgir:
- Dentro do rim
- No ureter (canal que leva a urina até a bexiga)
- Na própria bexiga
A localização influencia diretamente nos sintomas, na intensidade da dor e no tipo de tratamento indicado.
Como é o tratamento para pedra nos rins
O tratamento do cálculo renal varia de acordo com o tamanho, o tipo da pedra e os sintomas apresentados.
Cerca de 85% dos cálculos são pequenos e podem ser eliminados espontaneamente, com orientação médica e controle da dor. Já pedras maiores ou que causam complicações podem exigir procedimentos específicos, definidos pelo urologista.
O acompanhamento adequado é fundamental para evitar complicações e orientar a melhor conduta em cada caso.
Pedra nos rins tem prevenção?
Sim. A prevenção do cálculo renal está diretamente ligada a hábitos de rotina. Ajustes simples podem reduzir em até 60% o risco de novos episódios.
Confira alguns hábitos importantes:
- 1. Hidratação adequada – manter um bom volume de urina ao longo do dia é uma das medidas mais importantes. A recomendação geral é produzir mais de 2 litros de urina por dia, o que exige a ingestão adequada de água. Essa orientação pode variar conforme características individuais.
Calculadora de ingestão diária de água
- 2. Redução no consumo de sal – o excesso de sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina, favorecendo a formação de cristais. Reduzir alimentos ultraprocessados, embutidos e produtos muito salgados ajudam na prevenção.
- 3. Moderação nas proteínas animais – o consumo exagerado de carnes, embutidos e alguns peixes pode alterar a composição da urina e favorecer a formação de pedras. A recomendação é a moderação, não a exclusão total.
- 4. Frutas e vegetais como aliados – frutas cítricas, como limão e laranja, fornecem citrato, substância que dificulta a formação dos cristais. Vegetais também contribuem para a saúde renal de forma geral.
Cuidar dos rins no verão não exige mudanças radicais, mas atenção diária. Beber água ao longo do dia, observar a cor da urina e manter uma alimentação adequada são atitudes simples que reduzem riscos reais.
Fontes: MSD Manuals, Einstein Hospital Israelita, Hospital do Rim, Centro Brasileiro de Urologia – CBU, Biblioteca Virtual em Saúde, Unicamp, UFRJ