Falar sobre câncer na infância é um assunto que costuma despertar sentimentos complicados. Mas é pelo acesso à informação que as possibilidades de diagnósticos precoces aumentam e isso pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da criança.
O retinoblastoma é o tumor intraocular mais comum entre os pequenos, representando cerca de 14% de todos os cânceres em menores de 2 anos. Isso não o torna uma condição comum. Na verdade, essa é uma doença rara.
Reconhecer as características do retinoblastoma é importantíssimo para saber a hora de buscar ajuda. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, se a condição for diagnosticada e tratada em estágio inicial, as chances de cura podem chegar a 90%.
O que é o retinoblastoma?
É um tipo de câncer que se desenvolve na retina, a camada interna do olho responsável por captar a luz e enviar informações para o cérebro.
Esse tumor pode aparecer em apenas um dos olhos (forma unilateral, que representa 60% dos casos) ou nos dois (forma bilateral ou multifocal, que acontece em 40% dos casos).
Seja como for, a doença costuma se manifestar bem cedo: a maior parte é diagnosticada entre 0 e 5 anos, com idade média em torno dos 2 anos.
O que causa o retinoblastoma?

Quando o bebê ainda está se desenvolvendo na barriga da mãe, as células da retina se dividem para formar novas células. Esse é um processo natural e que, em determinado ponto, chega ao fim. Assim, aquelas que já foram formadas se tornam células retinianas maduras.
Nesse processo, o gene RB1 participa do controle do ciclo celular, ajudando a impedir que as células continuem se multiplicando de forma descontrolada e favoreçam a formação de tumores. Quando ocorre uma mutação nesse gene, esse mecanismo pode ser comprometido, permitindo o desenvolvimento do câncer.
Essa alteração pode acontecer de forma aleatória ou ser herdada do pai ou da mãe e, quando ocorre no início do desenvolvimento fetal, pode estar associada ao surgimento do retinoblastoma.
O gene RB1 está presente em todo o corpo. Logo, a mutação pode ocorrer apenas na retina ou em todo o organismo. No segundo caso, as chances da criança desenvolver outros cânceres ao longo da vida são maiores e pode exigir um acompanhamento médico mais próximo.
Quais são os principais sintomas de retinoblastoma
Sabe quando alguém tira uma foto com flash de outra pessoa e o reflexo do olho fica um pouco avermelhado ou alaranjado? Esse é o comum. Mas às vezes a pupila da criança reflete uma mancha branca, chamada de leucocoria.
Caso isso aconteça, segundo a Fiocruz, em 50% das vezes a causa é o retinoblastoma. E esse não é o único sintoma para ficar atento:
- Redução da visão em um dos olhos;
- Globo ocular maior do que o normal;
- Dor nos olhos;
- Cor diferente em cada íris.
Além desses, o estrabismo – que é quando os dois olhos não conseguem olhar na mesma direção – também precisa ser investigado para ver se a causa não é o retinoblastoma.
O retinoblastoma tem cura?
Sim, e as chances são altas quando o diagnóstico acontece cedo (como dissemos no início do artigo, chega a 90%).
O Teste de Olhinho (ou Teste do Reflexo Vermelho) que é feito ainda na maternidade é uma das principais ferramentas para identificar a leucocoria. Por isso, é tão importante realizá-lo ainda nos primeiros dias de vida e repeti-lo de forma periódica até os 5 anos de idade.

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Fontes: Fiocruz, Sociedade Brasileira de Pediatria, A C Camargo Cancer Center, GRAACC, Hospital Albert Einstein e Oncoguia