Não é raro encontrar quem já viveu um episódio de tontura, mas a causa disso pode ter origens muito diferentes.
Desidratação, queda de pressão, hipoglicemia e cinetose (aquela sensação ruim durante viagens de carro ou barco) são algumas das causas mais simples e passageiras.
Mas há situações em que a tontura persiste, se intensifica ou vem acompanhada de outros sintomas. Nesses casos, ela pode ser sinal de algo que merece investigação: a labirintite.
O que é labirintite?
A labirintite é uma inflamação do labirinto, estrutura localizada no ouvido interno que ajuda a controlar o equilíbrio e a audição.
Quando inflamado, o labirinto passa a enviar sinais incorretos ao cérebro sobre a posição do corpo no espaço. É esse conflito de informações que provoca a sensação intensa de que tudo está girando: a chamada vertigem.
Vale destacar que o termo “labirintite” é frequentemente usado de forma ampla no dia a dia. Do ponto de vista médico, ele descreve especificamente a inflamação do labirinto. Quadros que afetam estruturas vizinhas, como o nervo vestibular, recebem denominações diferentes, como neurite vestibular.
Ainda assim, o acompanhamento médico é necessário em qualquer um dos casos.
As causas da labirintite
A labirintite pode ser desencadeada por diferentes fatores, e identificá-los é importante para o tratamento adequado.
Entre as causas mais comuns estão alterações metabólicas e outras condições de saúde, como:
- Hipertensão e aumento dos níveis de colesterol ou triglicerídeos;
- Alterações da tireoide;
- Deficiência de vitaminas, principalmente da vitamina B12;
- Doenças degenerativas da coluna cervical.
Existem também causas mais raras, como tumores e aneurismas cerebrais.
Os principais sintomas de labirintite
A vertigem – aquela sensação de que o ambiente está girando mesmo com o corpo parado – é o sintoma mais característico da labirintite. Mas ela raramente aparece sozinha. Os sintomas mais frequentes incluem:

- Náuseas e vômitos;
- Dificuldade para manter o equilíbrio ao caminhar;
- Zumbido no ouvido (tinitus);
- Perda parcial ou temporária da audição;
- Sensação de pressão dentro do ouvido.
Os sintomas podem variar de intensidade e duração de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a crise passa em minutos. Em outros, pode persistir por dias e interferir significativamente na rotina.
Toda tontura é labirintite?
Não. Essa é uma confusão muito comum, e importante de ser desfeita.
A tontura é um sintoma, não um diagnóstico. E ela pode ser causada por muitas condições diferentes da labirintite. A desidratação é uma delas, isso porque a falta de líquido pode diminuir a pressão arterial e levar ao mal-estar.
Outra possibilidade é a hipoglicemia, quando os níveis de glicose no sangue ficam muito baixos (algo possível entre quem passa muitas horas sem comer).
A hipotensão postural, que é a tontura devida a uma queda de pressão momentânea ao levantar rápido da cama ou cadeira, é outra possibilidade. Assim como a cinetose, que é a sensação de enjoo e desorientação durante viagens de carro ou barco.
Labirintite tem cura?
A labirintite tem tratamento e, na maior parte dos casos, é possível controlar e melhorar os sintomas com os cuidados adequados.
O tratamento é definido pelo médico de acordo com a causa da inflamação e pode incluir medicamentos ou reabilitação vestibular, que é um conjunto de exercícios supervisionados por fisioterapeuta ou fonoaudiólogo para ajudar a “reorganizar” o sistema de equilíbrio.
Como aliviar uma crise de labirintite
Durante uma crise, algumas atitudes podem ajudar a reduzir o desconforto enquanto o tratamento é seguido:
- Deitar em um ambiente silencioso e com pouca luz, evitando movimentos bruscos de cabeça;
- Manter os olhos abertos e focados em um ponto fixo;
- Evitar telas;
- Ingerir líquidos, mas com cuidado para não provocar vômitos.

Se a crise for muito intensa, com vômitos frequentes, dificuldade para caminhar ou durar mais de algumas horas, é importante buscar atendimento médico.
Dicas para prevenir crises de labirintite
Embora nem sempre seja possível evitar completamente, alguns hábitos ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como controlar o estresse (e, para isso, práticas de meditação e atividade física podem ajudar).
Outras estratégias que funcionam bem são manter-se hidratado, tratar infecções com rapidez e seguir o tratamento médico, caso já tenha recebido o diagnóstico de labirintite.
E lembre-se: cuidar da saúde do equilíbrio começa por prestar atenção ao que o corpo comunica. Se a tontura se tornar frequente ou intensa, é sempre melhor investigar do que ignorar.
Quer continuar aprendendo sobre saúde e bem-estar? Explore outros conteúdos aqui no Portal Viver Bem.
Fontes: Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Hospital Israelita Albert Einstein (1, 2), Ministério da Saúde e Cleveland Clinic.