O descanso noturno adequado é essencial para a saúde, mas a dificuldade para adormecer atinge uma parte significativa da população.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 31,7% dos adultos brasileiros convivem com sintomas de insônia.
Quando não tratada, a condição pode reduzir a produtividade, afetar a memória, alterar o humor e ainda comprometer o funcionamento metabólico e cardiovascular do organismo.
O que pode causar insônia?
A insônia raramente surge por um único motivo. Em muitos casos, ela está relacionada a uma combinação de fatores físicos, emocionais e comportamentais que dificultam o início ou a manutenção do sono.
A condição também pode estar associada a problemas de saúde ou ser agravada por hábitos que interferem na rotina de descanso.
Entre os fatores mais frequentemente relacionados à insônia estão:
- Hábitos e substâncias: consumo excessivo de cafeína, ingestão de bebidas alcoólicas e hábitos inadequados de sono.
- Transtornos do sono: condições como apneia do sono e síndrome das pernas inquietas, que provocam despertares ao longo da noite.
- Condições clínicas e envelhecimento: dores crônicas e mudanças naturais do envelhecimento podem tornar o sono mais leve e fragmentado.
- Fatores emocionais e neurológicos: ansiedade, depressão e alguns transtornos neurológicos podem dificultar o relaxamento necessário para dormir.
- Uso de medicamentos: alguns remédios utilizados para tratar outras condições podem interferir no sono como efeito colateral.
A privação de sono também apresenta padrões diferentes dependendo da fase da noite em que o problema se manifesta.
Quais são os 3 tipos de insônia?
O Consenso Brasileiro de Insônia divide o distúrbio em três tipos:
- Insônia inicial: é a dificuldade para adormecer ao se deitar na cama.
- Insônia de manutenção: é a interrupção frequente do sono ao longo da madrugada, que impede um descanso profundo.
- Insônia terminal: é o despertar que acontece muito antes do horário planejado, sem a retomada do sono.
Esse último padrão merece atenção especial porque acontece justamente no momento em que o organismo ainda precisaria estar descansando para completar seu ciclo de sono.
Como lidar com a insônia terminal?
Muitas vezes, o despertar antecipado está relacionado a períodos de estresse intenso, preocupação constante ou condições como ansiedade e depressão. É como se o cérebro permanecesse em estado de alerta, mesmo quando o corpo ainda precisa descansar.
Com avaliação médica e estratégias adequadas para lidar com esse quadro, é possível reduzir o impacto desses despertares, melhorar a qualidade do sono e acordar com mais disposição.
Mas nem sempre a explicação está apenas nas emoções ou nos hábitos do dia a dia. Alterações hormonais também podem interferir no descanso, especialmente durante a menopausa.
Por que ocorre a insônia na menopausa?
A insônia na menopausa ocorre principalmente devido às oscilações hormonais características desse período, que afetam a regulação da temperatura do corpo.
A redução dos níveis de estrogênio provoca sintomas como suores noturnos e ondas de calor repentinas.
Todas essas mudanças físicas acabam dificultando o relaxamento profundo e podem deixar mulheres mais vulneráveis a despertares no meio da noite, fragmentando o sono.
Independentemente da causa, acordar durante a madrugada e não conseguir voltar a dormir pode gerar frustração e ansiedade. Por isso, algumas atitudes ajudam a evitar que a situação se prolongue.
O que fazer na hora da insônia?

Uma das recomendações mais importantes é não permanecer na cama tentando dormir a qualquer custo. Se o sono não voltar após cerca de 20 minutos, vale a pena levantar e mudar de ambiente.
Uma atividade tranquila e pouco estimulante, como ler um livro físico sob luz suave, ajuda o organismo a desacelerar. O ideal é retornar ao quarto apenas quando a sensação de sonolência reaparecer.
Durante esse período, também é importante evitar a televisão e o celular. A luz emitida por essas telas interfere na produção de melatonina, hormônio que participa da regulação do ciclo do sono.
Quais são os tratamentos para insônia?
O tratamento da insônia pode variar de acordo com a causa, a frequência dos sintomas e o impacto que eles têm na rotina de cada pessoa.
Segundo o Consenso Brasileiro de Insônia, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada uma das principais estratégias para o manejo da condição.
Além do trabalho realizado durante a terapia em conjunto com um psicólogo especializado, algumas mudanças na rotina costumam fazer parte da estratégia de cuidado:
- Ajustar o quarto: garantir que o ambiente permaneça o mais escuro, silencioso e confortável possível.
- Cuidar da alimentação: evitar refeições pesadas, bebidas alcoólicas e o consumo de cafeína à noite.
- Manter horários regulares: procurar deitar e acordar nos mesmos horários todos os dias, ajudando a regular o relógio biológico.
Essas medidas ajudam a criar condições mais favoráveis para o sono e podem potencializar os resultados do tratamento.
Quando essas estratégias não são suficientes, o médico pode avaliar a necessidade de medicamentos.
Entender os sinais do próprio corpo e identificar os fatores que interferem no sono são passos fundamentais para noites mais tranquilas e dias com mais disposição.
Quer descobrir outras estratégias para viver melhor? Explore mais conteúdos no Portal Viver Bem!
Fontes: Ministério da Saúde (1, 2), Jornal USP, Academia Brasileira de Neurologia, Associação Brasileira do Sono (1, 2) , Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein