Mude1Hábito

/
Equilíbrio Emocional
Publicação 30 abr 2026
Atualização 30 abr 2026

Qual é a relação entre cérebro e intestino

Sensação de barriga estufada em dias de estresse, intestino preso em períodos de ansiedade ou desconforto abdominal antes de situações importantes são experiências mais comuns do que parecem.

Esses sinais mostram que existe uma relação direta entre o intestino e as emoções, que vai muito além da digestão e envolve uma comunicação constante com o cérebro.

Para entender como essa conexão funciona e quando ela merece atenção, conversamos com a médica gastroenterologista Dra. Munique Kurtz de Mello (CRM 21732/SC), que explica os principais pontos sobre o funcionamento do eixo intestino-cérebro.

O que significa dizer que o intestino é nosso “segundo cérebro”?

O intestino atua apenas na digestão dos alimentos. Ele possui um sistema nervoso próprio, conhecido como sistema nervoso elétrico, capaz de funcionar forma independente em muitas funções.

Esse sistema coordena movimentos intestinais, secreções e até a percepção de dor.

Além disso, intestino e cérebro conversam o tempo todo chamado eixo intestino-cérebro. Essa conexão ajuda a explicar por que alterações intestinais podem influenciar humor, estresse, sono, energia e até a sensibilidade à dor.

Quando se diz que o intestino é o segundo cérebro, não é porque ele pense, mas porque ele recebe, processa informações e mantém uma comunicação ativa com o sistema nervoso central.

Qual é o papel dos neurônios presentes no intestino?

Os neurônios do intestinais formam uma grande rede na parede intestino e são fundamentais para o funcionamento do sistema digestivo no dia a dia.

Eles atuam em diferentes processos, como:

  • Controle dos movimentos intestinais
  • Regulação das secreções digestivas, como enzimas, muco e água
  • Modulação da sensibilidade intestinal

Essa atuação ajuda a explicar por que algumas pessoas apresentam maior sensibilidade a sintomas como dor, gases ou desconforto abdominal. Além disso, esses neurônios ajudam a proteger a barreira intestinal, trabalhando junto com defesas do corpo, o sistema imunológico.

Em situações de estresse, o intestino muda o seu ritmo e fica mais sensível. Por isso, o intestino reage tanto às emoções quanto ao aos alimentos ingeridos.

Como a comunicação entre intestino e sistema nervoso acontece na prática?

A comunicação entre o intestino e o cérebro ocorre em mão dupla. Ou seja, o intestino envia sinais para o cérebro e responde aos estímulos do sistema nervoso central.

Esse processo acontece por três vias principais:

Via neural: envolve principalmente o nervo vago, que funciona como um fio direto entre o intestino e o cérebro, levando informações de forma rápida, inclusive relacionadas à dor e sensibilidade.


Via imunológica: o intestino tem papel importante na imunidade e, quando existe inflamação, pode influenciar sintomas como cansaço, alterações de humor e mal-estar. E o contrário também acontece, já que o estresse pode impactar a resposta imunológica intestinal.


Via hormonal e metabólica: o intestino produz hormônios que ajudam a controlar a fome e a saciedade, e junto com a microbiota intestinal, produzem substâncias que influenciam inflamação, proteção do intestino e sinais enviados ao cérebro.

No dia a dia, essa conexão explica por que o estresse pode desencadear ou agravar sintomas intestinais e como alterações no intestino podem impactar o nosso bem-estar emocional.

Intestino e saúde emocional: quais problemas podem estar relacionados?

Alterações no funcionamento do intestino podem estar associadas a emocionais, embora não sejam a única causa desses quadros.

Entre as associações comuns, estão ansiedade, sintomas depressivos, alterações ligadas ao estresse e distúrbios do sono.

Muitas pessoas também relatam fadiga persistente, dificuldade de concentração e aquela sensação de “mente nublada, conhecida como brain fog.

Essas manifestações são mais frequentes em quem tem sintomas intestinais crônicos, inflamação ou dor persistente.

É importante destacar que cuidar do intestino pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui o acompanhamento adequado da saúde mental.

O que vem primeiro: o intestino ou as emoções?​

Essa é uma dúvida muito comum. Afinal, o desequilíbrio começa no intestino ou nas emoções?

Na prática, os dois caminhos são possíveis e, muitas vezes, vira um ciclo.

O estresse e a ansiedade podem alterar o funcionamento do intestino, tornando-o mais sensível, lento ou acelerado.

Ao mesmo tempo, sintomas intestinais persistentes, como dor, inchaço, estufamento, urgência ou medo de passar mal, impactam a qualidade de vida e podem aumentar o risco de ansiedade e depressão.

Por isso, o mais importante não é identificar quem vem primeiro, mas cuidar de forma integrada, tanto do intestino quanto da saúde emocional.

Acompanhe o Portal Viver Bem para mais conteúdos sobre saúde e bem-estar.

Fonte: Entrevista com a médica gastroenterologista Munique Kurtz Mello (CRM 21732/SC)

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil