Saúde em Pauta

/
Cuidados específicos
Publicação 01 out 2026
Atualização 01 out 2026

O que fazer e o que evitar para ter um cabelo mais saudável

A forma como higienizamos o cabelo é uma das dicas mais importantes. A água do banho deve ser morna ou fria (nunca quente) porque o calor resseca os fios e estimula o couro cabeludo a produzir mais óleo. Sobre a frequência: depende do tipo de cabelo e da região onde você mora. Alimentação, estresse e procedimentos químicos também afetam diretamente a fibra capilar.

Cabelo saudável costuma ser tratado como assunto de estética, mas a rotina que sustenta os fios é a mesma que sustenta a saúde: higiene adequada, alimentação equilibrada e controle do estresse.

Não existe produto milagroso. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) afirma: fórmulas mágicas não existem, afinal, cabelo bonito é cabelo saudável.

A boa notícia é que a maior parte do cuidado acontece no banheiro de casa e depende mais de acertar o básico do que de investir em tratamento.

Como lavar o cabelo corretamente?

Lavar o cabelo corretamente significa usar água morna ou fria, concentrar o xampu no couro cabeludo e o condicionador no comprimento, enxaguando até não restar produto.

O passo a passo recomendado para o dia a dia é o seguinte:

  1. Desembarace antes de molhar. O fio molhado fica mais frágil e quebra com mais facilidade ao ser puxado. Mas um alerta! Essa regra é particularmente diferente para quem tem cabelo cacheado ou crespo para evitar a formação de frizz. Neste caso, o ideal é escovar durante o banho, na hora do condicionador. Usar um pente de dentes largos, apenas os dedos ou uma escova própria para essa curvatura pode ajudar.

  1. Use água morna ou fria. Deixar de lado a água quente é o hábito mais fácil de se corrigir.

  1. Aplique o xampu no couro cabeludo, não no comprimento. É ali que se acumulam sebo, suor e resíduo. O comprimento se limpa no enxágue. E uma dica extra: fios cacheados ou crespos respondem melhor aos produtos específicos para esses tipos de cabelo ou àqueles que têm fórmulas mais hidratantes.

  1. Massageie com as polpas dos dedos. Sem usar as unhas. Atrito excessivo irrita o couro cabeludo.

  1. Enxágue por completo. Resíduo de produto pesa a raiz e deixa um aspecto opaco. A menos que seja um produto sem enxágue, com formulação específica para isso.

  1. Aplique o condicionador do meio para as pontas. Perto da raiz, o produto tende a pesar e aumentar a oleosidade.

  1. Seque sem esfregar. Pressione a toalha em vez de friccionar os fios, e evite o secador muito quente ou muito próximo ao cabelo.

Com que frequência devo lavar o cabelo?

Não existe uma regra única. Segundo a SBD, a frequência depende do tipo de cabelo e da região onde você vive.

Em regiões mais úmidas, quem tem raiz oleosa e fios finos pode lavar diariamente. Já quem tem cabelo seco, idosos, mulheres na pós-menopausa e pessoas com cabelos cacheados ou crespos podem lavar com menos frequência.

O motivo é que, nesses casos, o sebo não se distribui de forma uniforme da raiz ao comprimento, seja pela produção mais baixa, seja pelo formato encaracolado do fio.

Qual a temperatura ideal da água para lavar o cabelo?

Morna ou fria. Nunca quente, que resseca a fibra do fio e estimula o couro cabeludo a compensar produzindo mais óleo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul, água em temperatura elevada pode retirar a proteção natural da pele e dos fios. No couro cabeludo, o banho muito quente pode provocar vermelhidão, descamação e coceira, além de aumentar a oleosidade capilar.

Os especialistas explicam que isso acontece por conta de um efeito rebote. Para compensar a perda de água, o couro cabeludo intensifica a produção de oleosidade. Então, fique sempre de olho na temperatura do banho.

Escova progressiva faz mal? Quais os riscos?

Depende do produto. A Anvisa não registra alisantes que contenham formol na formulação. Segundo a SBD, a exposição à substância pode causar:

  • Irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo;
  •  Queda de cabelo;
  • Ardência e lacrimejamento dos olhos;
  • Alergias;
  • Dores abdominais e enjoo;
  • Maior risco de câncer nas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traqueia e brônquios);
  • Em casos mais graves, o formol pode provocar até a morte.

Por isso, quando for ao salão, peça para ver a embalagem e o registro na Anvisa antes do procedimento. Alisantes tradicionais, como o tioglicolato de amônio e o hidróxido de sódio, oferecem menos riscos. E desconfie de qualquer promessa que pareça boa demais.

O que comer para fortalecer os cabelos?

De acordo com o Ministério da Saúde, consumir alimentos ricos em vitaminas do complexo B, por exemplo, ajuda a manter os fios saudáveis.

Eles auxiliam o sistema imunológico e promovem a regeneração celular, incluindo o crescimento dos cabelos. Essas vitaminas estão presentes em ovos, peixes, leite e seus derivados, castanhas, abacate e vegetais verdes (brócolis, couve, espinafre, rúcula).

Mas, da mesma forma que ter uma alimentação equilibrada pode ajudar o cabelo, o contrário também pode acontecer. Quando há deficiências nutricionais, os fios podem ser impactados.

Anemia e níveis baixos de vitamina D estão entre as condições que podem provocar queda, assim como dietas muito restritivas e o período após cirurgias (a bariátrica em especial, que combina estresse cirúrgico e mudança nutricional).

Mas é importante dizer que nenhum alimento isolado protege a saúde do cabelo. O que sustenta o fio é o padrão alimentar ao longo do tempo. Então, seguir uma rotina alimentar nutritiva é sempre interessante.

O estresse pode causar queda de cabelo?

Sim. Períodos de grande desgaste emocional podem provocar uma queda temporária conhecida como eflúvio telógeno.

O que acontece: cada fio passa por três fases, que são crescimento, repouso e queda. Um evento marcante, como um luto, uma perda, uma mudança de trabalho ou uma doença, pode empurrar muitos fios de uma vez para a fase final do ciclo.

E um fato interessante é que a queda costuma aparecer três ou quatro meses depois do evento, o que faz muita gente não relacionar uma coisa à outra. Tanto que é comum a pessoa procurar ajuda para a queda de cabelo no momento em que a vida já se estabilizou.

A boa notícia é que, em pessoas saudáveis e sem doença prévia do couro cabeludo, essa queda tende a ser passageira e os fios voltam a crescer.

Quadros infecciosos, alterações na tireoide, mudanças hormonais como o pós-parto e o uso excessivo de alguns medicamentos também estão entre as causas de queda que merecem investigação.

Quantos fios é normal cair por dia?

De 50 a 100 fios, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A quantidade varia bastante porque é algo relacionado a fatores genéticos, hormonais e à idade. Uma pessoa tem, em média, cerca de 100 mil fios na cabeça, e o ciclo de crescimento de cada um dura de dois a sete anos.

Por isso, é importante olhar o quadro geral, não só um número específico.

Então, não se atente a “quantos fios caíram hoje”, mas se a queda aumentou em relação ao que costumava ser o seu próprio padrão.

Quando procurar um médico para queda de cabelo?

Procure avaliação quando a queda mudar de padrão ou quando surgirem sintomas no couro cabeludo.

Sinais que pedem atenção:

  • Muitos fios no travesseiro pela manhã;
  • Tufos que saem ao passar a mão ou ao pentear;
  • Perda visível de volume ou cabelo mais fino e ralo;
  • Couro cabeludo mais aparente ou áreas sem cabelo;
  • Lesões, coceira, descamação, vermelhidão ou dor no couro cabeludo;
  • Oleosidade muito acima do normal;
  • Recuo progressivo da linha frontal do cabelo.

O dermatologista é especialista em pele, cabelos e unhas. A investigação pode incluir exame físico, exames de imagem do couro cabeludo e exames laboratoriais para descartar anemia, alterações de tireoide e deficiências nutricionais.

Importante alertar: não se automedique. De acordo com a SBD, tratar queda de cabelo por conta própria pode colocar a saúde em risco. O tratamento adequado depende de um diagnóstico específico para o seu caso.

Perguntas frequentes sobre saúde dos cabelos

Lavar o cabelo todo dia faz mal? Não necessariamente. Depende do tipo de cabelo e do clima da região. Quem tem raiz oleosa e fios finos, em locais úmidos, pode lavar diariamente. Espaçar as lavagens não reduz a oleosidade. Inclusive, em couro cabeludo oleoso, com essa tática, a oleosidade tende a se intensificar.


Chapinha e secador causam queda de cabelo? Não causam queda pela raiz, mas podem provocar ressecamento e quebra brusca do fio pelo calor ou pela química. O dano é no comprimento, não no folículo.


Prender o cabelo apertado faz mal? Pode fazer. Penteados muito apertados usados com frequência podem causar alopecia de tração. A recomendação é variar os estilos e evitar coques muito firmes no dia a dia.


Cortar o cabelo faz crescer mais rápido? Não. O crescimento é determinado geneticamente e depende da duração da fase de crescimento do fio. O corte melhora o aspecto geral, mas não altera a velocidade.


Existe escova progressiva sem formol? Existem alisantes registrados na Anvisa que não contêm formol. O cuidado é que algumas substâncias liberam formol quando aquecidas, mesmo sem constar como tal no rótulo. Verifique o registro do produto antes do procedimento.


Queda de cabelo depois do parto é normal? Sim. Mudanças hormonais do pós-parto estão entre as causas conhecidas de queda temporária. Se a perda persistir ou for muito intensa, vale procurar avaliação dermatológica.


Cabelo cai mais em alguma época do ano? Não existem evidências de que a sazonalidade impacte na queda de cabelo. O problema pode ser desencadeado por inúmeros fatores de ordem genética e hormonal, por isso, é importante que seja investigado por um dermatologista.

Continue navegando pelo Portal Viver Bem para mais dicas de prevenção em saúde e hábitos de rotina que podem melhorar sua qualidade de vida.

Fontes: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Dermatologia (1, 2, 3 e 4) e Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil