A forma como higienizamos o cabelo é uma das dicas mais importantes. A água do banho deve ser morna ou fria (nunca quente) porque o calor resseca os fios e estimula o couro cabeludo a produzir mais óleo. Sobre a frequência: depende do tipo de cabelo e da região onde você mora. Alimentação, estresse e procedimentos químicos também afetam diretamente a fibra capilar.
Cabelo saudável costuma ser tratado como assunto de estética, mas a rotina que sustenta os fios é a mesma que sustenta a saúde: higiene adequada, alimentação equilibrada e controle do estresse.
Não existe produto milagroso. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) afirma: fórmulas mágicas não existem, afinal, cabelo bonito é cabelo saudável.
A boa notícia é que a maior parte do cuidado acontece no banheiro de casa e depende mais de acertar o básico do que de investir em tratamento.
Como lavar o cabelo corretamente?
Lavar o cabelo corretamente significa usar água morna ou fria, concentrar o xampu no couro cabeludo e o condicionador no comprimento, enxaguando até não restar produto.
O passo a passo recomendado para o dia a dia é o seguinte:
- Desembarace antes de molhar. O fio molhado fica mais frágil e quebra com mais facilidade ao ser puxado. Mas um alerta! Essa regra é particularmente diferente para quem tem cabelo cacheado ou crespo para evitar a formação de frizz. Neste caso, o ideal é escovar durante o banho, na hora do condicionador. Usar um pente de dentes largos, apenas os dedos ou uma escova própria para essa curvatura pode ajudar.
- Use água morna ou fria. Deixar de lado a água quente é o hábito mais fácil de se corrigir.
- Aplique o xampu no couro cabeludo, não no comprimento. É ali que se acumulam sebo, suor e resíduo. O comprimento se limpa no enxágue. E uma dica extra: fios cacheados ou crespos respondem melhor aos produtos específicos para esses tipos de cabelo ou àqueles que têm fórmulas mais hidratantes.
- Massageie com as polpas dos dedos. Sem usar as unhas. Atrito excessivo irrita o couro cabeludo.
- Enxágue por completo. Resíduo de produto pesa a raiz e deixa um aspecto opaco. A menos que seja um produto sem enxágue, com formulação específica para isso.
- Aplique o condicionador do meio para as pontas. Perto da raiz, o produto tende a pesar e aumentar a oleosidade.
- Seque sem esfregar. Pressione a toalha em vez de friccionar os fios, e evite o secador muito quente ou muito próximo ao cabelo.
Com que frequência devo lavar o cabelo?

Não existe uma regra única. Segundo a SBD, a frequência depende do tipo de cabelo e da região onde você vive.
Em regiões mais úmidas, quem tem raiz oleosa e fios finos pode lavar diariamente. Já quem tem cabelo seco, idosos, mulheres na pós-menopausa e pessoas com cabelos cacheados ou crespos podem lavar com menos frequência.
O motivo é que, nesses casos, o sebo não se distribui de forma uniforme da raiz ao comprimento, seja pela produção mais baixa, seja pelo formato encaracolado do fio.
Qual a temperatura ideal da água para lavar o cabelo?
Morna ou fria. Nunca quente, que resseca a fibra do fio e estimula o couro cabeludo a compensar produzindo mais óleo.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul, água em temperatura elevada pode retirar a proteção natural da pele e dos fios. No couro cabeludo, o banho muito quente pode provocar vermelhidão, descamação e coceira, além de aumentar a oleosidade capilar.
Os especialistas explicam que isso acontece por conta de um efeito rebote. Para compensar a perda de água, o couro cabeludo intensifica a produção de oleosidade. Então, fique sempre de olho na temperatura do banho.
Escova progressiva faz mal? Quais os riscos?
Depende do produto. A Anvisa não registra alisantes que contenham formol na formulação. Segundo a SBD, a exposição à substância pode causar:
- Irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo;
- Queda de cabelo;
- Ardência e lacrimejamento dos olhos;
- Alergias;
- Dores abdominais e enjoo;
- Maior risco de câncer nas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traqueia e brônquios);
- Em casos mais graves, o formol pode provocar até a morte.
Por isso, quando for ao salão, peça para ver a embalagem e o registro na Anvisa antes do procedimento. Alisantes tradicionais, como o tioglicolato de amônio e o hidróxido de sódio, oferecem menos riscos. E desconfie de qualquer promessa que pareça boa demais.
O que comer para fortalecer os cabelos?
De acordo com o Ministério da Saúde, consumir alimentos ricos em vitaminas do complexo B, por exemplo, ajuda a manter os fios saudáveis.
Eles auxiliam o sistema imunológico e promovem a regeneração celular, incluindo o crescimento dos cabelos. Essas vitaminas estão presentes em ovos, peixes, leite e seus derivados, castanhas, abacate e vegetais verdes (brócolis, couve, espinafre, rúcula).
Mas, da mesma forma que ter uma alimentação equilibrada pode ajudar o cabelo, o contrário também pode acontecer. Quando há deficiências nutricionais, os fios podem ser impactados.
Anemia e níveis baixos de vitamina D estão entre as condições que podem provocar queda, assim como dietas muito restritivas e o período após cirurgias (a bariátrica em especial, que combina estresse cirúrgico e mudança nutricional).
Mas é importante dizer que nenhum alimento isolado protege a saúde do cabelo. O que sustenta o fio é o padrão alimentar ao longo do tempo. Então, seguir uma rotina alimentar nutritiva é sempre interessante.
O estresse pode causar queda de cabelo?

Sim. Períodos de grande desgaste emocional podem provocar uma queda temporária conhecida como eflúvio telógeno.
O que acontece: cada fio passa por três fases, que são crescimento, repouso e queda. Um evento marcante, como um luto, uma perda, uma mudança de trabalho ou uma doença, pode empurrar muitos fios de uma vez para a fase final do ciclo.
E um fato interessante é que a queda costuma aparecer três ou quatro meses depois do evento, o que faz muita gente não relacionar uma coisa à outra. Tanto que é comum a pessoa procurar ajuda para a queda de cabelo no momento em que a vida já se estabilizou.
A boa notícia é que, em pessoas saudáveis e sem doença prévia do couro cabeludo, essa queda tende a ser passageira e os fios voltam a crescer.
Quadros infecciosos, alterações na tireoide, mudanças hormonais como o pós-parto e o uso excessivo de alguns medicamentos também estão entre as causas de queda que merecem investigação.
Quantos fios é normal cair por dia?
De 50 a 100 fios, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
A quantidade varia bastante porque é algo relacionado a fatores genéticos, hormonais e à idade. Uma pessoa tem, em média, cerca de 100 mil fios na cabeça, e o ciclo de crescimento de cada um dura de dois a sete anos.
Por isso, é importante olhar o quadro geral, não só um número específico.
Então, não se atente a “quantos fios caíram hoje”, mas se a queda aumentou em relação ao que costumava ser o seu próprio padrão.
Quando procurar um médico para queda de cabelo?
Procure avaliação quando a queda mudar de padrão ou quando surgirem sintomas no couro cabeludo.
Sinais que pedem atenção:
- Muitos fios no travesseiro pela manhã;
- Tufos que saem ao passar a mão ou ao pentear;
- Perda visível de volume ou cabelo mais fino e ralo;
- Couro cabeludo mais aparente ou áreas sem cabelo;
- Lesões, coceira, descamação, vermelhidão ou dor no couro cabeludo;
- Oleosidade muito acima do normal;
- Recuo progressivo da linha frontal do cabelo.
O dermatologista é especialista em pele, cabelos e unhas. A investigação pode incluir exame físico, exames de imagem do couro cabeludo e exames laboratoriais para descartar anemia, alterações de tireoide e deficiências nutricionais.
Importante alertar: não se automedique. De acordo com a SBD, tratar queda de cabelo por conta própria pode colocar a saúde em risco. O tratamento adequado depende de um diagnóstico específico para o seu caso.
Perguntas frequentes sobre saúde dos cabelos
Lavar o cabelo todo dia faz mal? Não necessariamente. Depende do tipo de cabelo e do clima da região. Quem tem raiz oleosa e fios finos, em locais úmidos, pode lavar diariamente. Espaçar as lavagens não reduz a oleosidade. Inclusive, em couro cabeludo oleoso, com essa tática, a oleosidade tende a se intensificar.
Chapinha e secador causam queda de cabelo? Não causam queda pela raiz, mas podem provocar ressecamento e quebra brusca do fio pelo calor ou pela química. O dano é no comprimento, não no folículo.
Prender o cabelo apertado faz mal? Pode fazer. Penteados muito apertados usados com frequência podem causar alopecia de tração. A recomendação é variar os estilos e evitar coques muito firmes no dia a dia.
Cortar o cabelo faz crescer mais rápido? Não. O crescimento é determinado geneticamente e depende da duração da fase de crescimento do fio. O corte melhora o aspecto geral, mas não altera a velocidade.
Existe escova progressiva sem formol? Existem alisantes registrados na Anvisa que não contêm formol. O cuidado é que algumas substâncias liberam formol quando aquecidas, mesmo sem constar como tal no rótulo. Verifique o registro do produto antes do procedimento.
Queda de cabelo depois do parto é normal? Sim. Mudanças hormonais do pós-parto estão entre as causas conhecidas de queda temporária. Se a perda persistir ou for muito intensa, vale procurar avaliação dermatológica.
Cabelo cai mais em alguma época do ano? Não existem evidências de que a sazonalidade impacte na queda de cabelo. O problema pode ser desencadeado por inúmeros fatores de ordem genética e hormonal, por isso, é importante que seja investigado por um dermatologista.
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Fontes: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Dermatologia (1, 2, 3 e 4) e Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul