O diagnóstico de esclerose múltipla costuma ser assustador. Estamos falando de uma condição autoimune, crônica e sem cura definitiva, que afeta o sistema nervoso central e pode impactar tanto os movimentos quanto funções cognitivas. E a descoberta disso ainda vem, geralmente, em uma idade entre 20 e 40 anos, justamente na fase da vida em que muitos sonhos estão ganhando forma.
A boa notícia é que com o acompanhamento médico adequado e hábitos saudáveis é possível ter uma vida ativa, realizar projetos pessoais e profissionais, manter relacionamentos e até engravidar. Sim, viver bem com a esclerose múltipla é possível, e neste artigo vamos mostrar como.
Como é o tratamento da esclerose múltipla?
A esclerose múltipla se manifesta por meio de surtos, que podem variar de intensidade e duração em cada pessoa. Na forma mais comum da doença — a remitente-recorrente (EMRR) — esses episódios surgem de tempos em tempos, com períodos de melhora entre eles.
Felizmente, o avanço da medicina tem proporcionado diversas opções terapêuticas. Existem medicamentos que aliviam os sintomas dos surtos e outros, conhecidos como Tratamentos Modificadores da Doença (TMDs), que ajudam a reduzir sua frequência e gravidade.
O neurologista é o profissional responsável por indicar o tratamento mais adequado para cada caso, por isso o acompanhamento contínuo é essencial. Além disso, é importante sempre consultar esse especialista antes de tomar outros medicamentos ou vacinas, já que os TMDs interferem no sistema imunológico.
Hábitos que fazem a diferença no dia a dia de quem tem esclerose múltipla
Os medicamentos são aliados fundamentais no controle da esclerose múltipla, mas o estilo de vida também tem um papel de destaque. Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e cuidar da saúde mental são atitudes que ajudam a reduzir surtos e contribuem para o bem-estar geral.
A atividade física, por exemplo, pode melhorar o equilíbrio, a força e o tônus muscular, além de ajudar no funcionamento do intestino e da bexiga — áreas muitas vezes afetadas pela doença. E mais: movimentar o corpo é uma forma poderosa de liberar endorfinas, reduzindo estresse e promovendo bem-estar emocional.
Algumas atividades recomendadas (sempre com acompanhamento médico ou fisioterapêutico):
- Caminhadas leves;
- Exercícios aquáticos;
- Alongamentos;
- Yoga ou Pilates;
- Fortalecimento muscular com baixo impacto.

Em algumas situações, bengalas, andadores ou outros suportes podem ser indicados para prevenir quedas. Nesses casos, o fisioterapeuta é o profissional mais indicado para orientar.
Já na alimentação, vale investir em fibras e água. Essa dupla ajuda a evitar a constipação intestinal — sintoma comum entre pessoas com EM. Frutas, legumes, cereais integrais e bastante hidratação são aliados importantes.
Como a esclerose múltipla afeta a saúde mental?
Além dos impactos físicos, a esclerose múltipla também pode afetar emocionalmente. Ansiedade, depressão, culpa, baixa autoestima e labilidade emocional (mudanças repentinas de humor) são sentimentos que podem surgir, especialmente após o diagnóstico ou durante os períodos de surto.
É por isso que o cuidado com a saúde mental deve andar junto com o tratamento físico. Psicoterapia, apoio da família, redes de apoio e, se necessário, o uso de medicação adequada fazem parte de uma abordagem mais ampla e eficaz para lidar com os altos e baixos da doença.
Vale lembrar que até 50% das pessoas com EM podem apresentar quadros depressivos em algum momento. Por isso, conversar com o médico e buscar apoio psicológico é mais do que necessário, é parte do tratamento.
Pessoas com esclerose múltipla podem trabalhar?
Sim! Tudo depende do estágio da doença e das necessidades individuais. Em alguns casos, adaptações simples no ambiente ou na jornada de trabalho já permitem que a pessoa siga com suas atividades normalmente. Em estágios mais avançados, pode haver necessidade de afastamento, mas cada caso é único.
A legislação brasileira proíbe discriminação no ambiente de trabalho (Lei nº 9.029/95). Ainda assim, é comum que muitas pessoas prefiram manter o diagnóstico em sigilo por medo de julgamentos.
Não é obrigatório compartilhar a condição com o empregador, mas quando há abertura para o diálogo, a empresa pode promover um ambiente mais inclusivo e acolhedor.
Veja algumas medidas que ajudam a garantir esse acolhimento:
- Arquitetura acessível, com apoios e rampas;
- Jornada flexível ou possibilidade de home office;
- Pausas regulares durante o expediente;
- Adequação de tarefas às capacidades da pessoa;
- Equipes preparadas e sensibilizadas sobre o tema.
Conviver bem é possível
A esclerose múltipla pode impor limites, mas também pode inspirar superações. Quando existe uma rede de apoio, informação de qualidade, tratamento adequado e hábitos saudáveis, é possível conviver com a doença com autonomia, alegria e dignidade.
Lembre-se: cada dia conta. E com o cuidado certo, ele pode ser leve, produtivo e cheio de significado.
Fontes: Hospital Albert Einstein | Abem | EM Brasil 1, 2 | Revista Acta Fisiátrica (Unicamp) | Firjan | MS Focus Magazine (Multiple Sclerosis Foundation) | Johns Hopkins Medicine