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Cuidados com os Idosos
Publicação 28 abr 2026
Atualização 28 abr 2026

Demência: quando o esquecimento preocupa

Esquecer um nome ou onde deixou um objeto pode acontecer com qualquer pessoa. Na maioria das vezes, são lapsos pontuais que fazem parte da rotina.

Mas quando o esquecimento se torna frequente, interfere no dia a dia e afeta a autonomia, é importante investigar. Em alguns casos, esse pode ser um sinal de demência.

Segundo o Ministério da Saúde cerca de 2 milhões de pessoas vivem com algum grau de demência no Brasil, e a expectativa é que esse número chegue a 6 milhões até 2050.

Esses dados reforçam a importância de reconhecer os sinais precoces e buscar orientação médica.

O que é demência?

A demência não é uma doença única, mas uma síndrome que afeta diferentes funções do cérebro, como memória, linguagem, raciocínio e comportamento.

Na prática, isso significa que a pessoa pode apresentar dificuldade para lidar com situações do dia a dia que antes eram simples.

Essas mudanças podem aparecer como:

  • Dificuldade para organizar tarefas ou resolver problemas cotidianos;
  • Alterações na forma de se comportar ou reagir a situações;
  • Dificuldade para acompanhar conversas ou expressar ideias.

Mais do que a perda de memória, a demência interfere na autonomia e na capacidade de se orientar e se relaciona com o ambiente, afetando diretamente a qualidade de vida.

Quais são os sintomas de demência?

Os sintomas de demência variam de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são mais frequentes e merecem atenção quando passam a se repetir.

Entre os principais, estão:

  • Perda de memória recente, com repetição de perguntas;
  • Dificuldade para avaliar riscos e tomar decisões;
  • Alterações de humor, como apatia, irritabilidade ou tristeza persistente;
  • Dificuldade para planejar, organizar ou concluir tarefas simples;
  • Perda de julgamento em situações do cotidiano.

Nem sempre esses sinais são percebidos por quem os apresenta. Muitas vezes, familiares e pessoas próximas são os primeiros a notar que algo mudou.

Reconhecer esse conjunto de alterações é fundamental para buscar avaliação e investigar a causa.

Demência é a mesma coisa que Alzheimer?

Não. O Alzheimer é um tipo de demência, mas não é um sinônimo da síndrome.

Ele é a forma mais conhecida e mais comum. No entanto, existem outras, como a demência vascular, a demência frontotemporal e a demência com corpos de Lewy. Cada uma delas pode afetar o cérebro de uma maneira diferente e se manifestar de formas distintas.

Enquanto alguns quadros têm início com a perda de memória, outros podem começar com alterações de comportamento, linguagem ou organização do pensamento.

Conhecer essa diferença reforça a importância da avaliação médica para um diagnóstico adequado.

Demência pode acontecer antes dos 65 anos?

Sim. Embora seja mais comum em pessoas idosas, a demência também pode surgir antes dos 65 anos, sendo chamada de demência precoce.

Apesar de menos frequente, tende a ter grande impacto na vida profissional, social e familiar. Outro ponto importante é que nem sempre os primeiros sinais envolvem perda de memória.

De acordo com a Associação Paulista de Medicina, a demência precoce representa cerca de 8% de todos os casos registrados no mundo.

Entre esses casos, de 35% e 40% não começam pela memória, o que pode dificultar o reconhecimento inicial.

Nessa situação, podem surgir:

  • Dificuldades de planejamento e organização:
  • Alterações de linguagem;
  • Problemas visuais e espaciais.

Por isso, sinais fora do padrão esperado para a idade devem ser submetidos à avaliação clínica.

O que aumenta o risco de demência?

Nem todos os fatores de risco podem ser controlados, mas muitos estão relacionados ao estilo de vida e podem ser acompanhados ao longo do tempo.

Um relatório publicado na revista The Lancet indica que atuar sobre fatores de risco modificáveis pode ajudar a evitar cerca de 40% dos casos de demência.

Entre os principais fatores associados ao risco, estão:

  • Baixa escolaridade
  • Doenças crônicas, como diabetes e hipertensão
  • Doenças cardiovasculares e histórico de acidente vascular cerebral (AVC)
  • Tabagismo
  • Consumo excessivo de álcool
  • Sedentarismo
  • Isolamento social
  • Perda auditiva não tratada

A hereditariedade, por outro lado, responde por uma pequena parcela dos casos, o que reforça o papel dos hábitos de vida na prevenção da doença.

Como prevenir demência ou reduzir o risco?

Não existe uma fórmula única de prevenir demência, mas alguns hábitos ajudam a proteger a saúde cerebral ao longo da vida:

  • Manter doenças crônicas sob controle;
  • Praticar atividade física com regularidade;
  • Evitar o tabagismo;
  • Reduzir o consumo de álcool;
  • Cuidar da saúde auditiva;
  • Preservar vínculos sociais;
  • Estimular o cérebro com leitura e aprendizado contínuo.

É a combinação desses fatores ao longo do tempo que contribui para a saúde do cérebro.

Como lidar com uma pessoa com demência no dia a dia?

Conviver com a demência exige adaptações tanto para quem recebe o diagnóstico quanto para quem está por perto.

As estratégias que ajudam a deixar a rotina mais segura e previsível:

  • Usar de frases curtas e objetivas;
  • Evitar confrontos desnecessários;
  • Manter uma rotina estruturada;
  • Adaptar o ambiente para reduzir riscos;
  • Acolher as emoções, mesmo quando a lógica parecer comprometida;
  • Contar com uma rede de apoio sempre que possível;

Com o tempo, essas mudanças contribuem para reduzir o estresse e melhorar a convivência.

Quando procurar ajuda para perda de memória?

Nem toda perda de memória é sinal de demência mas alguns sinais mostram quando é importante buscar avaliação médica.

Procure orientações quando os esquecimentos:

  • Passam a ser frequentes;
  • Interferem na rotina;
  • Vêm acompanhados de desorientação ou mudanças no comportamento;
  • São percebidos por outras pessoas como algo diferente do habitual;
  • Comprometem a autonomia.

O diagnóstico precoce permite entender melhor o quadro, investigar causas e organizar o cuidado de forma mais adequada.

Com informação e atenção aos sinais, é possível cuidar da saúde cerebral de forma mais consciente e preventiva ao longo da vida.

Fontes: MSD Manuals, Associação Paulista de Medicina, Faculdade de Medicina – UFMG, Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Centro Internacional sobre el Envejecimiento – CENIE

Agência SA365 | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil