Segundo dados do ambulatório Delete, serviço especializado em dependência de internet do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cerca de 70% dos pacientes atendidos têm entre 14 e 20 anos.
Esse dado chama a atenção porque a adolescência e o início da vida adulta são fases marcadas pela construção da identidade e pela busca por pertencimento social.
Em um ambiente digital que expõe constantemente o que outras pessoas estão fazendo, vivendo ou conquistando, esse contexto pode intensificar um sentimento cada vez mais discutido na saúde mental: o FOMO.
A sigla vem do inglês fear of missing out e descreve o medo constante de perder experiências, atualizações ou interações compartilhadas nas redes sociais.
O que significa FOMO?
FOMO é a sigla para fear of missing out, que significa medo de ficar de fora.
O termo descreve a preocupação constante de perder experiências que outras pessoas estão vivendo, especialmente nas redes sociais.
Por que o FOMO acontece
O medo de ficar de fora não surge apenas por curiosidade ou hábito digital. Alguns mecanismos psicológicos e neurológicos que ajudam a explicar esse comportamento.
- Ciclo de recompensa do cérebro
Curtidas, notificações e respostas rápidas ativam o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer.
Quando essas interações diminuem, pode surgir desconforto e a vontade de buscar novas atualizações.
- Comparação social constante
O contato frequente com conteúdos que destacam experiências positivas pode levar à percepção de que a vida dos outros é mais interessante ou satisfatória. Esse processo está associado a sentimentos de insatisfação, baixa autoestima e ansiedade.
- Busca por pertencimento
A necessidade de fazer parte de grupos e experiências compartilhadas é natural nas relações humanas. No ambiente digital, essa busca pode se transformar na sensação de que é preciso acompanhar tudo para não se sentir excluído.
Qual o impacto do FOMO no bem-estar emocional
Embora muitas vezes pareça um incômodo passageiro, o FOMO pode afetar a saúde mental de diferentes formas.
Entre os principais efeitos estão:
- Aumento de ansiedade
- Sintomas depressivos
- Sensação de solidão
- Irritabilidade
- Baixa autoestima
- Dificuldade de aproveitar o momento presente
Outro impacto frequente envolve o sono. O uso do celular antes de dormir, motivado pelo receio de perder atualizações, pode dificultar o relaxamento e contribuir para insônia e cansaço mental.
Como lidar com o FOMO no dia a dia

O objetivo não é abandonar a tecnologia, mas construir uma relação mais equilibradas com o uso das redes sociais.
Pratique o JOMO
JOMO é a sigla para joy of missing out, ou seja, a alegria de ficar de fora. A proposta é aceitar que não é possível acompanhar tudo e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar atenção e energia.
Estabeleça limites para o uso digital
A chamada higiene digital envolve criar limites claros para o uso de dispositivos. Algumas estratégias incluem:
- Desativar notificações não essenciais
- Evitar o celular durante as refeições
- Definir horários para reduzir o uso de telas
Valorize experiências fora das telas
Atividades físicas, hobbies e encontros presenciais ajudam a diminuir a dependência do estímulo constante das redes sociais. Além disso, fortalecem vínculos e contribuem para o bem-estar emocional.
Busque apoio profissional quando necessário
Quando o FOMO está associado a sofrimento intenso, ansiedade persistente ou isolamento, a psicoterapia pode ajudar a desenvolver estratégias mais saudáveis de lidar com a tecnologia e com as relações sociais.
Pequenas mudanças na forma de usar as redes sociais já podem reduzir a comparação social, diminuir a sensação de urgência digital e favorecer uma relação mais consciente com o ambiente online.
Quer entender melhor como o uso da tecnologia pode influenciar seu bem-estar? Explore outros conteúdos sobre saúde emocional no portal Viver Bem.
Fontes: Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, LF Idiomas, Psicólogos São Paulo, Psicología, Conocimiento y Sociedad, Online Information Review