Seja para começar o dia com mais energia ou para acompanhar um bom papo, o café é um verdadeiro clássico brasileiro. O país, inclusive, é um dos maiores produtores e consumidores dessa bebida no mundo. Mas você sabia que a forma como a cafeína age no organismo varia de pessoa para pessoa? Ou que o café coado e o expresso têm diferenças além do sabor?
Então, vem com a gente descobrir algumas curiosidades sobre essa bebida tão querida e o seu principal composto ativo: a cafeína!
1. A sensibilidade à cafeína varia de pessoa para pessoa

Já reparou que, enquanto algumas pessoas podem tomar café à noite e dormir normalmente, enquanto outras perdem completamente o sono com uma única xícara? Isso acontece porque o metabolismo da cafeína é influenciado por fatores genéticos e individuais.
O fígado possui as enzimas responsáveis pela metabolização da cafeína. Algumas pessoas possuem uma atividade enzimática mais lenta, prolongando seus efeitos no organismo, enquanto outras metabolizam de forma mais rápida, eliminando a substância com mais facilidade – e podem até acabar consumindo mais café por isso.
Mas fique de olho: o consumo excessivo pode levar à tolerância à cafeína, ou seja, à necessidade de doses maiores para sentir os mesmos efeitos estimulantes. Segundo a Sociedade Brasileira de Nutrição, o consumo moderado de cafeína – cerca de 200 a 300 mg por dia (equivalente a 2 a 3 xícaras de café) – é considerado seguro para a maioria das pessoas.
2. Café coado e café expresso: qual a diferença?
Quem gosta de café já percebeu que há uma grande diferença entre um café coado e um expresso, tanto no sabor quanto na textura. Mas a distinção vai além da experiência sensorial!
No café, há um composto lipídico chamado cafestol que pode aumentar os níveis de colesterol no sangue. Ao coar o café, boa parte desse composto fica retido no filtro de papel. Já no café expresso, preparado sob alta pressão e sem filtragem, há uma concentração maior de cafestol e, consequentemente, maior influência nos níveis de colesterol LDL (o chamado colesterol “ruim”).

Importante: Se você possui colesterol alto e não dispensa um cafezinho, opte pelo consumo do café coado ou filtrado. E não se esqueça: nunca altere sua alimentação sem a orientação do seu médico.
3. O café é rico em antioxidantes
Além de ser um poderoso estimulante natural, o café é uma das principais fontes de antioxidantes da alimentação ocidental. Essas substâncias ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas instáveis que podem causar danos celulares, e contribuem para a prevenção de algumas doenças.
4. Excesso de cafeína pode causar efeitos indesejados
Embora o café ofereça benefícios, o consumo excessivo pode levar a efeitos colaterais. Confira os principais:
- Insônia: a cafeína bloqueia os efeitos da adenosina, substância que induz o sono. O ideal é não consumir o café nas horas que antecedem o descanso;
- Aumento da ansiedade: doses elevadas podem causar nervosismo, irritabilidade e taquicardia em pessoas sensíveis;
- Alterações digestivas: o café estimula a produção de ácido gástrico, podendo causar desconforto em pessoas com gastrite ou com refluxo;
- Dependência e abstinência: o consumo frequente pode levar a sintomas de abstinência, como dor de cabeça, fadiga e irritabilidade quando há redução brusca na ingestão da bebida.
Por isso, é essencial ficar de olho no seu nível de consumo, lembrando que a recomendação é de que não passe da terceira xícara de café em um único dia.
5. Nem todo café tem a mesma quantidade de cafeína
A concentração de cafeína pode variar dependendo de alguns fatores, como o tipo do grão, do método de preparo e do tempo de extração.
- O café arábica – um dos mais consumidos por ser mais suave e aromático possui cerca de 1,2% de cafeína.
- O café robusta – outra espécie de grão, com sabor mais intenso, possui quase o dobro de cafeína (entre 2% e 2,7%) usado principalmente na produção de café solúvel.
O café vai muito além de uma simples bebida. Seu consumo pode trazer benefícios à saúde, desde que seja feito com moderação. Fatores como sensibilidade individual, método de preparo e quantidade ingerida fazem toda a diferença na forma como a cafeína impacta o organismo.
Agora que você conhece mais sobre essa bebida tão apreciada, que tal preparar um café fresquinho e aproveitar cada gole com ainda mais consciência?
Fontes: Química Nova – Sociedade Brasileira de Química, Revista Pesquisa Fapesp, Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Hospital Israelita Albert EinsteinRevista Nature